Guerrilheiro Carlos Eugênio
O ódio tem contra-indicações

Foto retirada do Blog Utopia
Quando vi o depoimento de Carlos Eugênio Paz na novela Amor e Revolução do SBT fiquei impressionado com a sua sinceridade. Ele contou com detalhes como “justiçou” Henry Boilesen: empresário dinamarquês que financiava a tortura no Brasil. (Para saber mais sobre isso veja o documentário Cidadão Boilesen). Fui saber mais sobre ele e descobri seu livroViagem à luta armada. O livro é uma grande contribuição histórica, pois Carlos Eugênio é um dos poucos que conheceu várias organizações da esquerda armada; participou de inúmeras ações e ficou vivo para contar a história. Como Franklin Martins diz no prefácio: recomenda-se afivelar os cintos.
Raríssimos são aqueles que puderam formar uma visão completa do processo, desde a época em que o sonho da luta armada supunha-se invencível até os estertores da guerrilha urbana, quando os militantes morriam como moscas, e o ódio e o desespero assumiram o lugar da esperança e da certeza no futuro. Carlos Eugênio é um deles.
Franklin Martins
CAMPAINHA... A ESSA HORA, só pode ser polícia. Adrenalina, descarga dupla. Pulo da cama com a metralhadora na mão esquerda, engatilho-a com a direita.
Encosto o ouvido na porta do quarto, ouço os passos arrastados de dona Marta, que pergunta quem é e pede paciência. Totalmente desperto, visto calça e camisa, me sento para amarrar os sapatos. Dona Marta abre a portinhola de entrada.
- Polícia, estamos procurando um terrorista. Olhe a foto e diga se o conhece.
- Sou uma mulher de idade, me recupero de uma cirurgia delicada e vocês me tiram da cama a essa hora procurando terroristas... Deixe ver...
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