Como acabou o analfabetismo na China
Reproduzo o capitulo 4 do livro China: O Nordeste que deu certo da escritora e jornalista Heloneida Studart. Ela, visitou a China 30 anos após a Revolução Comunista de 1949 e descreveu suas experiências em um país que procurava esquecer seu passado colonial: período em que todo seu povo era escravizado pelas potências industriais européias e pelo Japão. Nesse capítulo chamado Como o analfabetismo acabou ela explica como os chineses conseguiram em poucos anos alfabetizar uma população em que 80% não sabiam ler e escrever.
Na aldeia Zhao, vi algumas escolas primárias. Todas singelas, com o modesto quadro negro, as carteiras de madeira sem verniz, os garotinhos olhando atentamente para o professor e rabiscando aqueles caracteres incríveis em blocos de papel ordinário. Em matéria de Educação, duas coisas me impressionam na China: o comportamento do aluno e a extinção do analfabetismo. Não é fácil alfabetizar centenas de milhões de pessoas. Principalmente, se a escrita é compota daqueles inumeráveis caracteres, cada um deles constituídos de muitos traços, com uma estrutura complexa que os torna difíceis de ler, memorizar e escrever – desconfio que eu passaria anos antes de conseguir reconhecê-los. Assim mesmo, realizada a Libertação e feita a reforma agrária, os chineses lançaram-se à tarefa de acabar com o analfabetismo (80% da população era analfabeta; no campo, este percentual alcançava 90%). Havia aldeias em que não existia um único camponês alfabetizado. E assim, receber ou enviar uma carta significava, ir à aldeia vizinha, para pedir ajuda de quem soubesse decifrar os caracteres. Em 1955, a palavra de ordem de alfabetizar todo o país assumiu uma forma planificada. E como, na China, não funcionava a filosofia do “eu estou na minha”, todo partiram – com todos – para ensinar a ler e a escrever a milhões de chineses entre 15 e 45 anos de idade. Foi fundada uma Associação Nacional de Alfabetização e houve uma convocação geral às massas para que ajudassem o plano. Representantes dos sindicatos, das organizações feministas e das entidades juvenis começaram a mobilizar todas as forças sociais para a campanha. Não havia sala vazia ou praça disponível em que os chineses não se reunissem para discutir os métodos a serem usados. Discursos, conferências, jornais murais difundiam a urgência da aplicação do plano. Enquanto isso, aos milhares, os ativistas voluntários iam de casa em casa para ensinar aos analfabetos. Só na província costeira de Shan Dong participaram do trabalho de alfabetização três milhões de pessoas: “Você tem certeza de que entraram milhões?”, indaguei, boquiaberta, receando que, em minha rua, eu não mobilizasse, para a mesma tarefa, mai de três pessoas. “Em Shan Dong – explicou ela. – Porque o continente inteiro tinha, só de jovens, 30 milhões. Eles foram ensinar nas escolas noturnas, cursos de alfabetização e escolas de inverno. Em todos os lugares onde havia adultos que não sabiam ler nem escrever”.
Continue lendo no link:
http://www.comunistas.spruz.com/pt/Como-acabou-o-analfabetismo-na-China/blog.htm
Nenhum comentário:
Postar um comentário