quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Direitos Humanos - Fotografia: Marcados para viver


Marcados para viver


Cláudia Andujar nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1931. Filha de pai judeu, morou na Hungria quando criança. Em 1944, durante a ocupação alemã, seu pai e outros familiares foram mortos num dos campos de concentração nazistas. Claúdia e sua mãe conseguiram fugir para os Estados Unidos, passando uma temporada em  Nova  Iorque  antes  de  desembarcar  no  Brasil,  em  1955.  A fotógrafa reside no País desde então, e hoje vive e trabalha em São Paulo.
Interessada desde cedo pela linguagem visual, Cláudia Andujar caminhou da pintura abstrata para a fotógrafa, passando a trabalhar como fotógrafa na revista Realidade. Foi nesse período que teve o primeiro contato direto com povos indígenas. Na década de 70, deixou o fotojornalismo de vez para se dedicar ao registro documental-artístico dos yanomami, com os quais viveu várias vezes e durante longos períodos no curso de sua trajetória.
O trabalho sobre os índios constitui a grande marca de seu percurso. Suas fotos, que integram o acervo de importantes coleções nacionais e internacionais (MAM-SP, Coleção Pirelli/MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MoMa – Nova Iorque, Amsterdam Art Museum, entre outras), ecoam a militância histórica no tema dos Direitos Humanos dos povos indígenas – em especial no reconhecimento e na demarcação das terras yanomami –, caracterizando-se por seu conteúdo poético profundamente humanista. Durante o regime militar, Cláudia foi expulsa pela Funai da área indígena. Logo depois, em 1978, tornou-se coordenadora da Comissão pela Criação do Parque Yanomami (CCPY).
As fotos publicadas nesta 4ª edição de direitos Humanos fazem parte do último livro de Cláudia, “Marcados”, lançado em outubro de 2009 pela editora CosacNaify.  As imagens foram feitas no início dos anos 80, quando a fotógrafa, acompanhada de agentes e médicos do Ministério da Saúde, viajou para a fronteira norte com o 襟m de captar as imagens dos yanomami para um registro de vacinação. Como aqueles índios não costumavam identificar-se com nome próprio, cada um foi fotografado segurando uma placa contendo um número para identificação – era o Cadastro de Saúde Yanomami, uma ficha individual que, nos anos seguintes, foi usada para registrar a aplicação de vacinas Sabin, BCG e antitetânica. Temos aí a série Marcados, na qual Claúdia faz um diálogo entre os índios yanomami fotografados – “marcados para viver” - e suas memórias, de 1944, quando, aos 13 anos, teve seu encontro com aqueles que, estrela de Davi costurada à roupa, haviam sido “marcados para morrer”: sua família, amigos e Gyuri, rapaz judeu que foi seu primeiro amor.


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