terça-feira, 12 de abril de 2011

Resenha do Livro: Versões e Ficção: O sequestro da História (parte1)

Resenha do Livro:

Versões e Ficção: O sequestro da História (parte1)

Este livro surgiu da necessidade que muitos militantes da Esquerda armada sentiram de dar suas opiniões e contrapontos ao livro O que é isso companheiro? de Fernando Gabeira e ao filme, de mesmo nome, produzido por Bruno Barreto e é um bom complemento ao documentário Hércules 56 também criado com esta finalidade. Na apresentação do livro os autores salientam que defendem livre manifestação de opiniões e justamente por aceitarem a manifestação dos mais variados pontos de vista é que eles vêm ao público demonstrar suas discordâncias e denunciar erros, manipulações e deturpações que algumas interpretações trazem consigo. Pretende ter uma interpretação não produzida pelos “caçadores” e muito além daquela que se pretende “isenta” e “desideologizada”.

QUE HISTÓRIA É ESSA?

Por Marcelo Ridenti

Ridenti afirma que seu artigo destina àqueles que como ele não viveram aquela época na idade adulta e estão interessados em “descobrir a complexidade da história recente do país” que vai muito além do que se vê no filme O que é isso companheiro?. O autor afirma que um erro comum é pensar as esquerdas dos anos 60 em separado do contexto histórico. Fora destas circunstâncias específicas parece um despropósito se armar para realizar a revolução brasileira. Em termos internacionais havia muitas revoluções vitoriosas ou em curso como a Revolução Cubana, a Libertação da Argélia e a guerra antiimperialista em desenvolvimento no Vietnã. O êxito destas revoluções é fundamental para entender a luta e o ideário contestador dos anos 60: povos subdesenvolvidos se rebelavam contra as grandes potências para criar um sonhado mundo novo. Ao mesmo tempo se questionava o modelo soviético. Muito burocrático e acomodado a ordem estabelecida da Guerra Fria. Ridenti faz um resumo do golpe militar e do desenvolvimento da ditadura até o AI-5 quando se tornou mais autoritária e sanguinária. Sobre o filme que é uma ficção com base em fatos reais como reconhecem os próprios autores, embora o trailer anuncie como uma obra verdadeira, e que Bruno Barreto tem todo o direito de produzir uma obra sobre o período. O problema é que o filme trata de fatos e personagens reais e de uma época sobre o qual há muita curiosidade e muito desconhecimento. O filme não ajuda a entender a complexidade da História recente do país e tem o mérito apenas de tocar num assunto que parecia esquecido ou ignorado pelo público. Ele possui vários clichês de cinema norte-americano: um velho sábio que conhece as mazelas do mundo mas não deixa de sofrer suas conseqüências (o embaixador seqüestrado); um supermocinho idealista e ingênuo, o jornalista revolucionário inspirado em Gabeira; um supervilão baseado no militante Jonas com todas as características de bandidos russos dos filmes da guerra fria além de cenas complementares de sexo e corridas de automóvel. A intenção anunciada pelos autores de romper com o maniqueísmo foi por terra ao estereotipar como bandido o operário Jonas e tomar partido do mocinho intelectual de classe média, Gabeira. Ridenti afirma não ter nada ao objetar sobre o torturador do filme ter crise de consciência, embora isso crie um contraste com o “sanguinário” Jonas – que na vida real foi um digno e valente militante, morto sob tortura logo após o sequestro. Ridenti salienta que as organizações de esquerda tinham aspectos autoritários e alguns de seus membros chegaram a envolver-se em obscuros casos de execuções de supostos traidores. Mas fatos como este devem ser estudados por cientistas sociais e políticos evitando simplificações com melhor resultado estético e fidelidade histórica que o filme de Barreto.

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http://www.comunistas.spruz.com/pt/Resenha-do-Livro-Verses-e-Fico-O-sequestro-da-Histria-parte1--/blog.htm

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