Mostrando postagens com marcador ditadura militar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ditadura militar. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A verdade não esconde o rosto: ​Por Brizola Neto


A verdade não esconde o rosto
​Por Brizola Neto

Dilma no tribunal militar
A foto ao lado, que ilustra o livro “A vida quer coragem”, de Ricardo Amaral, a ser lançado nos próximos dias, foi publicada pela revista Época, uma biografia de Dilma Rousseff. Não conheço o livro, para que dele possa falar.
Mas a foto, como tantas vezes acontece, diz em silêncio tantas coisas que, escritas, obrigariam a longos raciocínios.
As mãos que encobrem o rosto dos oficiais que se sentavam no tribunal militar que julgaria e condenaria a “subversiva” tinham todo o poder, todo o mando, mas tampavam suas faces.






Continue lendo no link:

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Julio vive e morre – A prisao do guerrilheiro Celso Lungaretti


Júlio vive e morre
A prisão do guerrilheiro Celso Lungaretti

Em 1970 Celso Lungaretti, codinome Júlio, foi preso pela repressão militar. Além das bárbaras torturas que lhe deixaram surdo de um ouvido. Ainda teve que sobreviver durante anos sendo chamado de traidor pelos companheiros de Esquerda porque aceitou participar da encenação de um falso arrependimento na TV, armada pela ditadura militar como forma de propaganda contra a “subversão”. Depois de 40 anos ele conseguiu provar sua inocência. Abaixo o relato do dia em que ele foi preso. O dia que mudou sua vida para sempre.

16 DE ABRIL DE 1970
Júlio chega à praça Saens Peña às 6h38 do dia 16 de abril de 1970.
É uma fase de arbítrio e intolerância. Os partidos e organizações que ousaram pegar em armas para resistir à ditadura militar pagam um preço bem alto: as notícias de prisão e morte de militantes são praticamente diárias. Há indícios de melhora da situação econômica do País.
Ele veio de ônibus, calculando que daria tempo. Deu. O ponto com o Ivo e os dois simpatizantes está marcado para as 6h45.
Outro motivo para ter optado pelo ônibus é a certeza de que o coletivo estaria quase vazio nesse horário. Ótimo para quem precisa tomar cuidado com o revólver que traz na cintura, encoberto pela camisa folgada, que usa fora da calça.
Nesta manhã de quinta-feira Júlio não tem outros compromissos. Baterá um rápido papo com os simpatizantes que Ivo vai lhe passar e pronto! Estará livre para voltar ao quarto que aluga na casa de uma simpática velhinha do Rio Comprido (ótima cobertura, nada de fichas para preencher, nada que possa atrair atenções indesejáveis).
Para manter a fachada de vendedor, às vezes ele é obrigado a ficar matando tempo pela cidade mesmo quando não tem nenhuma tarefa da Organização para cumprir. Nesta semana, entretanto, ele disse à Dª Chica que ganhou alguns dias de folga.
Como os dois comandantes de unidades de combate foram convocados pelo Lamarca para uma reunião de emergência na área guerrilheira, não há muito para um comandante de Inteligência fazer.
Assim, Júlio tratou de arrumar uma desculpa para manter horários mais flexíveis. E, como vantagem adicional, pôde sair à paisana, sem o terno desconfortável para o clima carioca nem a pasta 007 em que costuma levar o seu .38 e uma caixa de balas.

Continue lendo no link:

Folha de Sao Paulo reabilita o ideologo da extrema-direita


Folha de São Paulo reabilita o ideólogo da extrema-direita
 
 
"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma"
- Joseph Pulitzer
 
Folha reabilita o ideólogo da ditabranda
por Caio Navarro de Toledo
 
Os editores da Folha de S. Paulo sempre se regozijam com os resultados de pesquisas que asseguram que, do ponto de vista de sua formação escolar, os leitores do jornal seriam “altamente qualificados” (74% teriam cursado o ensino superior e 24% o ensino médio).
 
É possível afirmar  também que, desde o final da ditadura militar, o jornal passou a abrir suas páginas para uma colaboração regular de acadêmicos e intelectuais críticos (a “campanha das diretas já” talvez tenha se constituído em momento privilegiado do congraçamento com esses setores). Creio que os vínculos com a academia se acentuaram quando os editores e colunistas do jornal (com cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado) passam a ser recrutados nas várias unidades de ensino e pesquisa das universidades públicas paulistas, em particular da USP.
 
Por meio de seus editores, alguns intelectuais e acadêmicos – vários deles de esquerda e alguns, inclusive, de convicções marxistas – são convidados a escrever colunas semanais enquanto outros têm artigos, entrevistas e depoimentos publicados nas diferentes seções do jornal  (economia, política nacional e internacional, cultura, educação etc.); igualmente, escrevem cartas, têm seus livros resenhados, pedem que abaixo-assinados com fins acadêmicos e políticos sejam divulgados etc.(*)
 
Na inexistência de jornais ou revistas definidamente de esquerda e ampla circulação nacional – que poderiam servir de canal alternativo à grande mídia –, uma parte dos acadêmicos críticos e intelectuais socialistas acredita que é imprescindível travar o combate ideológico dentro dos meios de comunicação da burguesia. Embora possam ser críticos da linha editorial da Folha, muitos intelectuais e acadêmicos de esquerda não deixam de assinar o jornal e alguns destes colaboradores sentem-se prestigiados quando vêem seus textos ali reproduzidos. Assim, publicar na Folha ou ter seu livro ali discutido passa a ser uma prova de reconhecimento intelectual mais apreciada do que, inclusive, ver um texto ou uma resenha de livro divulgada em algumas revistas acadêmicas dirigidas por seus próprios pares.
 
Mas nem todos pensam assim. Sob uma outra perspectiva, existem aqueles, dentro das esquerdas, que são críticos da colaboração com a grande imprensa, particularmente com a Folha de S. Paulo posto que isso implicaria legitimar os aparelhos de hegemonia das classes dominantes. Em seu blog, a jornalista Eliane Tavares foi categórica:
 
“No que diz respeito aos jornalões nacionais como GloboFolha de S. Paulo e Estadão, nunca houve dúvidas sobre o que eles defendem. Por isso sempre me causou espécie ver a intelectualidade brasileira de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistiam em dizer que era o `mais democrático´ ou que `pelo menos abria um espaço para a diferença´” .
 
Embora o duradouro namoro entre a Folha e os acadêmicos de esquerda tenha sofrido um relativo abalo com o episódio do malfadado editorial “Limites a Chavez” (25/2/2009) – que denominou de “ditabranda” o período do regime militar pós-1964 –, alguns acadêmicos e intelectuais socialistas, talvez hoje em menor quantidade, continuam colaborando regularmente com o jornal. Importante lembrar também que o “episódio da ditabranda” provocou intensos protestos pela internet e uma expressiva manifestação de leitores, militantes sociais e blogueiros diante da sede da Folha; versões informam que centenas de assinaturas do jornal foram canceladas a fim de expressar o repúdio pela falsificação histórica e ofensa à memória de brasileiros e brasileiras mortos pela ditadura militar. (Um relato circunstanciado e analítico do episódio pode ser consultado AQUI)

Continue lendo no link:

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mario Kosel Filho: o jovem soldado que se tornou martir da extrema-direita brasileira


Mário Kosel Filho: o jovem soldado que se tornou mártir da extrema-direita brasileira

     Antes                                                                                     Depois

Ontem (13/11/2011) um homem reacionário conversou comigo no twitter. Ele me falou sobre Mário Korel Filho, jovem soldado que foi morto num atentado da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) ao QG do II Exército, em São Paulo, em 26/06/1968. Já conhecia essa história. Li sobre isso no livro de Alfredo Sirkis, Os Carbonários, leiam o trecho abaixo:
“Pouco tempo mais tarde, foi a bomba no QG do IIº Exército. Dias antes, falando na TV sobre o roubo de uma dezena de FAL no Hospital Militar, o comandante do mesmo, general Carvalho Lisboa, desafiara os autores a fazer a mesma coisa no quartel dele.
Só que exageraram.
Uma perua carregada com uns vinte quilos de dinamite foi atirada contra o quartel-general, visando entrar portão adentro e mandar pelos ares os alojamentos de oficiais e comando. Os sentinelas perceberam e abriram fogo, ferindo o motorista que pulou antes do tempo. A perua se desviou e bateu no muro. Ficou parada e depois estourou, num estrondo que sacudiu meia São Paulo.
Matou um cabo que virou herói nacional.”
Sirkis, Alfredo. Os Carbonários: memórias da guerrilha perdida. 1981. p. 93.

Nessa época Sirkis ainda não havia entrado na VPR. Ele narra no livro que esse tipo de atentado já era criticado pelo movimento estudantil.
O twitteiro chama-se Adilson Domingos (@adilsondomingos) e, em seu blog, ele diz ser Bombeiro Militar (sic). Ele me deu esse link:
O texto do link ele copiou do A Verdade Sufocada site de ex-militares torturadores que protestam contra a Comissão da Verdade recém criada pelo governo. Como eu não tenho paciência e nem tempo livre o suficiente para ficar replicando argumentos tão intelectualmente ricos como esse que ele me fez:
@eduardolm17 Então meu caro "Historiador" se a verdade é muito para você descupe-me, mas p/ mim terrorista bom é terrorista morto #Dilma_cia
Eu prefiro analisar o texto que ele me enviou para dar minha opinião sobre o episódio, separarei alguns trechos do texto:

Continue lendo no link:

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ditadura Militar: O assassinato de Marighella


O assassinato de Carlos Marighella
Ditadura Militar, assassinato de Marighella, Marighella morto, guerrilha, luta armada, guerrilha urbana, comunistas brasileiros, OBAN, Fleury, ALN,
Marighella (direita) junto com sua família

Dia 4 de novembro foi celebrado o aniversário da morte de Carlos Marighella. Líder da ALN, Marighella foi assassinado na Alameda Casa Branca em São Paulo. Abaixo eu reproduzo um trecho do livro Olho por olho do jornalista Lucas Figueiredo. Ele comenta partes do ORVIL, livro secreto do Exército descoberto em 2007 (mais detalhes no postPara o Exército PT seria  incubadora de terroristas) em que a morte do guerrilheiro é descrita com detalhes.

Nas prisões, sustentava o Orvil, o que havia eram confissões espontâneas. “Com exceção de militantes com formação ideológica mais sólida, a abertura de todo o conhecimento passou a ser uma conduta comum aos presos”, dizia o livro secreto. Dessa forma, 90% ds prisões efetuadas pela repressão seriam fruto da traição de “militantes despreparados e sem convicção’ Dezenas de episódios envolvendo supostos atos de perfídia foram descritos no Orvil— entre eles, um que envolvia nada menos que a morte de Carlos Marighella. Pela versão do Orvil, na caça ao líder máximo da guerrilha urbana país, a repressão foi comendo pelas beiradas até que, em outubro de 1969, pôs as mãos em Paulo de Tarso Venceslau, importante dirigente da ALN. Levado para a sede da Oban - a Operação Bandeirante, organismo antissubversão de São Paulo que serviu de modelo para os DOI—Codi em todo o país—,Venceslau de início teria negado no interrogatório qualquer ligação com a ALN. Mas por fim, contava o livro secreto, “pressionado insistentemente” com uma pergunta (“Como faria contato com a organização caso fosse colocado em liberdade?”), o guerrilheiro acabou confessando que discaria o número 62.2324, do Convento dos Dominicanos, no bairro Perdizes, e falaria com certo frei Ivo. (A história real é bem diferente: Venceslau foi triturado na Oban, entrou em coma e por pouco não morreu. Apesar de ter o número do telefone do convento anotado no talão de cheques, a pista passou desapercebida pelos agentes da Oban.) No dia seguinte à prisão de Venceslau, frei Ivo (Yves do Amaral Lesbaupin) foi detido junto com frei Fernando de Brito, outro dominicano que rezava pela bíblia de Marighella. Na descrição do Orvil, os religiosos “fraquejaram diante da realidade da prisão e do desmascaramento” e terminaram por abrir boa parte da estrutura clandestina da ALN. Confessaram que, quando desejava fazer contato, Marighella ligava para a livraria Duas Cidades, onde trabalhava um dos frades. “Colaborando” com a repressão, segundo o Orvil, dois dias depois de ser preso o contato de Marighella foi levado para a livraria. Na hora marcada, o frade atendeu o telefonema do guerrilheiro e, utilizando códigos, combinou um encontro.

Continue lendo no link:

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pedro Lobo: militar, guerrilheiro, militar


Pedro Lobo 
militar, guerrilheiro, militar

Conheça a trajetória do companheiro de organização de Dilma Rousseff que ousou enfrentar à bala os militares durante os Anos de Chumbo. A história completa você encontra no livro Pedro e os Lobos

VIDA LOUCA ESTA DE PEDRO LOBO
Pedro Lobo de Oliveira nasce em 28 de julho de 1931 no bairro de Favorita, município de Natividade da Serra. Para fugir da miséria que assola a região, no início dos anos 50 ele abandona seu torrão natal em busca de um eldorado chamado Mato Grosso. No caminho, quase se torna escravo branco em uma plantação de bananas, trabalha como servente de pedreiro, metalúrgico, e acaba engajado na Força Pública, hoje Polícia Militar.
Contagiado pela luta ideológica que divide o mundo durante a Guerra Fria, o então sargento Lobo se converte ao socialismo e passa a militar no Partidão de Luís Carlos Prestes. Considerando-se um operário fardado — cuja ferramenta de trabalho é um fuzil —, ele adere à tese da luta armada e vai às últimas consequências quando ajuda a fundar uma das mais ativas organizações guerrilheiras que atuam no país durante os Anos de Chumbo.
Companheiro do lendário Capitão Carlos Lamarca e seguidor ardoroso das teorias foquistas de Ernesto Che Guevara, Pedro se converte em Getúlio ou Gegê, para mergulhar de cabeça na luta contra a ditadura implantada a ferro e fogo em março de 1964.
Odiado pelos militares por sua obstinação e bravura, o militante da Vanguarda Popular Revolucionária é preso e massacrado nos cárceres da repressão política. Solto durante as negociações pela libertação de um embaixador sequestrado, ele passará pela Argélia, Cuba, Chile e Argentina, antes de se fixar na Alemanha Oriental, do outro lado do que o Ocidente convencionou chamar de A Cortina de Ferro.
Sobrevivente de uma guerra sem regras, Pedro volta ao Brasil com a anistia e é reintegrado à Polícia Militar como se sua vida encerrasse um caprichoso ciclo. Hoje capitão, ele se mantém a postos para retomar a luta de resistência caso a  democracia seja novamente ameaçada.

Continue lendo no link:

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A ultima mentira do Cabo Anselmo


A última mentira do Cabo Anselmo
Por Urariano Mota

Cabo anselmo no Roda VivaCorpo de Soledad Barrett Viedma

José Anselmo dos Santos, ou Daniel, ou Jadiel, ou Jônatas…  ou mais simplesmente Cabo Anselmo, se apresentou no Roda Viva na última segunda-feira. Como já se esperava, ele esteve muito à vontade, porque os entrevistadores não pesquisaram a história dos seus crimes, e se fizeram esse indispensável dever, não quiseram levá-lo às cordas, para confrontar as suas esquivas com os depoimentos de testemunhas de 1973, ano das execuções de 6 militantes socialistas no Recife.

continue lendo no link:

Quem é o Cabo Anselmo: Por Celso Lungaretti


Quem é o Cabo Anselmo

Por Celso Lungaretti



Na reestréia do programa Roda Viva, a busca de impacto prevaleceu sobre os critérios de ordem moral: a atração foi um sujeito que se vangloria de, passando-se por companheiro dos resistentes, ter contribuído para que a ditadura militar exterminasse cerca de 200 deles durante os  anos de chumbo.

O número, evidentemente, é exagerado, mas o que devemos pensar de quem quer ser reconhecido como  serial killer?

Nada que um indivíduo desses diga interessa às pessoas de bem. E o que eu tinha a dizer sobre ele, já disse em artigos comoBomba! Segundo ex-diretor do Dops, o cabo Anselmo já era agente duplo em 64 (que pode ser acessado aqui) e Reaparece o cabo Anselmo: será mais uma provocação?, de 04/08/2009, que reproduzo abaixo:

Um dos personagens mais detestados dos anos de chumbo, José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, voltou ao noticiário na semana passada, quando foi tirar impressões digitais para reaver seus documentos de identidade, que não lhe fizeram falta quando vivia sob a proteção dos órgãos de segurança da ditadura militar, nem durante bom tempo depois de restabelecida a democracia no País.





Continue lendo no link:

Lamarca: o guerrilheiro apaixonado


Lamarca:
o guerrilheiro apaixonado

Carlos Lamarca e Iara Iavelberg

guerrilheiro apaixonado
Por Hugo Studart
 
As cartas escritas pelo capitão Carlos Lamarca à sua amada Iara Lavelberg dias antes das trágicas mortes de ambos, em 1971, revelam o lado passional de revolucionário implacável.
 
Iara Iavelberg tinha o rosto lindo, a cabeça brilhante e o coração revolucionário. Era a musa da esquerda brasileira em 1969, quando um capitão do Exército, Carlos Lamarca, desertou de armas em punho para se tornar comandante da Vanguarda Popular Revolucionária, a VPR. Logo tombaria de encantos por Iara. A paixão do capitão pela guerrilheira virou lenda entre a intelectualidade pátria, nossa melhor versão de Tristão & Isolda ou de Garibaldi & Anita. Há 35 anos ambos, Lamarca & Iara, morreram nas mãos dos militares. Caíram na Bahia, em locais e datas distintas. O que poucos sabem é que Lamarca deixou um diário como legado, redigido durante seu exílio na caatinga baiana. São 39 trechos, redigidos entre 8 de julho e 16 de agosto de 1971 (um por dia), endereçados a Iara e obtidos por ISTOÉ através de um oficial de alta patente. O diário é um documento singular. Os textos se parecem muito mais com uma longa lírica romântica do que com registros racionais de um revolucionário. Guardam impressionante paralelo com as cartas da revolucionária alemã Rosa Luxemburgo a Leo Jogiches, onde ela discute a revolução, mas dedica-se principalmente a falar do amor colossal que sente pelo amante. Nas cartas de Lamarca, como nas de Rosa, há trechos marxistas, mas os pontos fortes desse documento são as declarações de amor que revelam o imaginário do nosso mais conhecido guerrilheiro:
 
– Neguinha, a fôrça da coletivização é espantosa, fico a imaginar uma fazenda coletiva – e me babo só de pensar! (A grafia original foi mantida)


Continue lendo no link:

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A guerrilheira Soledad Barrett Viedma


A guerrilheira
Soledad Barrett Viedma


SOLEDAD, A MULHER DO CABO ANSELMO
Por Urariano Motta

Recife (PE) - Quem lê “Soledad no Recife” pergunta sempre qual a natureza da minha relação com Soledad Barrett Viedma, a bela guerreira que foi mulher do Cabo Anselmo. Eu sempre respondo que não fomos amantes, que não fomos namorados. Mas que a amo, de um modo apaixonado e definitivo, enquanto vida eu tiver. Então os leitores voltam, até mesmo a editora do livro, da Boitempo: “mas você não a conheceu?”. E lhes digo, sim, eu a conheci, depois da sua morte. E explico, ou tento explicar.
Quem foi, quem é Soledad Barrett Viedma? Qual a sua força e drama, que a maioria dos brasileiros desconhece? De modo claro e curto, ela foi a mulher do Cabo Anselmo, que ele entregou a Fleury em 1973. Sem remorso e sem dor, o Cabo Anselmo a entregou grávida para a execução. Com mais cinco militantes contra a ditadura, no que se convencionou chamar “O massacre da granja São Bento”. Essa execução coletiva é o ponto. No entanto, por mais eloquente, essa coisa vil não diz tudo. E tudo é, ou quase tudo.


Continue lendo no link:

domingo, 9 de outubro de 2011

Guerrilha no Brasil: O Sequestro do Embaixador Suíço


Guerrilha no Brasil
O Sequestro do Embaixador Suíço
 
Carlos Lamarca e o embaixador Giovanni Enrico Bucher

Na História do Brasil existem acontecimentos surpreendentes, mas infelizmente pouco conhecidos do grande público. Um deles é o sequestro do Embaixador Suíço, que foi trocado por 70 prisioneiros que estavam sendo torturados nos porões da ditadura militar. Esta ação foi liderada por Carlos Lamarca da VPR – Vanguarda Popular Revolucionária. Durante 40 dias angustiantes os guerrilheiros mantiveram o embaixador Giovanni Enrico Bucher em cativeiro, aguardando a resposta dos militares. Dentro do “aparelho” clandestino também estavam a mulher de Lamarca: Yara Iavelberg e Alfredo Sirkis. É ele quem narra essa emocionante história no livro Os Carbonários.

O GRANDE ENGARRAFAMENTO
Guerrilha no Brasil - O sequestro do embaixador suíço
Curiosos e policiais olham o local do sequestro

Surgiram no espelho às 9,15 hs., em ponto.
Abri a porta do Volks bege para os três que chegaram a passo apressado, vindos do outro lado do muro. A rua do transbordo era serpenteada  de paralelepípedos, uma das curvas à volta de um muro fortificado,
O fuscão turqueza, que instantes antes os deixara do outro lado dessa curva, passou apressado ladeira acima. Nisso Ivan já segurava 1 porta e fazia sinal pro embaixador entrar. Paulista mão no Smith & Wesson, dava a cobertura.
Me deparei com ele, de terno e gravata, rosto carnudo, avermelhado, um nariz grosso, robusto jeitão europeu bem nutrido. Um par de olhos assustados.
— You will be well treated. (Você vai ser bem tratado.)
Assumi de novo minhas funções de intérprete oficial da VPR.


Continue lendo no link:

domingo, 2 de outubro de 2011

O justiçamento do guerrilheiro Márcio Leite de Toledo


O justiçamento do guerrilheiro Márcio Leite de Toledo
O justiçamento do guerrilheiro Márcio Leite de Toledo
Foi só o ex-guerrilheiro da ALN, Carlos Eugênio Paz, contar em depoimento na novela Amor e Revolução que tinha assassinado o empresário Henry Boilesen (presidente da Ultragás que financiava a tortura no Brasil) que a extrema-direita, representada pelos blogueiros da VEJA, ficou em polvorosa. E para destruir a reputação da Esquerda Armada lembrou de um episódio polêmico ocorrido em março de 1971: o justiçamento de Márcio Leite de Toledo. O fato é verdadeiro, ele foi morto por Carlos Eugênio depois que num tribunal revolucionário os militantes da ALN decidiram executá-lo por suspeita de traição. Como esse blogue foi criado para limpar o esgoto que os militares de pijama e os neo-reaças espalham pela internet, vou postar abaixo opiniões diferentes sobre o assassinato e um vídeo com a entrevista do irmão de Márcio Toledo. Que nossos leitores tirem suas próprias conclusões.   


Carlos Eugênio conta como a ALN decidiu fazer o “justiçamento”

UM GRUPO-DE-FOGO sai para roubar um carro, a ação é bem-sucedida, vão trocar as placas num terreno baldio no Alto da Lapa. A entrada é numa rua de terra, estreita e fácil de guardar, um combatente, apenas, assegura rota de fuga para todos. Mário [Márcio Leite de Toledo] treinou em Cuba, atira bem, é escalado na metralhadora, os companheiros se entretêm na tarefa, seguros, não percebem a chegada dos tiras, o alarme não foi dado, a arma não disparou. Perdem o carro, escapam ilesos graças à disposição para o combate, Mário sai correndo sem atirar, abandonando-os à própria sorte.
— Vacilou pela segunda vez, não pode haver uma terceira, está fora de ação, vamos pensar o que fazer, talvez seja melhor que saia do país, assim terá condições de escolher o melhor para seu futuro.
— Eu não vacilei, foi uma escolha, era melhor não combater...
— Não se defenda, o combinado era atirar nos tiras, retendo-os, e correr para os carros, nos quais os companheiros, alertados pelos disparos, estariam prontos para dar cobertura até que entrasse e pudessem fugir. Arriscou a vida dos três, vai ficar afastado, sob o controle de Célio [José Milton Barbosa], terá tempo para pensar, fazer sua autocrítica e decidir se prefere uma reintegração progressiva ou a partida para o exterior.


Continue lendo no link:



Jornalista da Globo diz (sem querer) que emissora ajudou os terroristas do Riocentro


Jornalista da Globo diz (sem querer) que emissora ajudou os terroristas do Riocentro

inspetor clouseau

Inspetor clouseau (da Pantera Cor-de-rosa) e Merval: A aparência e a burrice são meras coincidências

Reproduzo abaixo texto do Blog os amigos do presidente Lula com a denúncia de que a Globo acobertou os militares terroristas que tentaram explodir uma bomba no show do Riocentro em 1981. O objetivo era culpar a Esquerda Armada (já extinta) e evitar o fim da ditadura militar e a redemocratização do Brasil. Mais detalhes sobre o atentado você pode ver nesse post: [Entenda o que foi o atentado do Riocentro]. Em seu discurso na ABL o jornalista Merval Pereira provou mais uma vez que a burrice é imortal e acabou confessando que a Globo esperou o crime prescrever para somente depois dizer os nomes dos envolvidos no atentado.

 


Merval confessa que Globo só publicou a verdade do Riocentro quando o crime prescreveu

Dezoito anos depois, em 1999, 
O GLOBO deu outro "furo"... 
O crime prescrevera...
Merval Pereira, 23/09/2011

A impunidade é a mãe da corrupção. Com a impunidade, o crime compensa para quem é corrupto. Uma das estratégias mais comuns dos corruptos para "conquistar" a impunidade é deixar o tempo correr até a prescrição do crime.


Continue lendo no link:

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ditadura Militar: Prisão de estudantes no congresso secreto da UNE em Ibiúna


Ditadura Militar: Prisão de estudantes no congresso secreto da UNE em Ibiúna

Ditadura militar - prisão de estudantes no congresso da UNE

O CONGRESSO DA UNE EM IBIÚNA
por Nelson Piletti

Meados de outubro de 1968. Apesar de proibida de funcionar pela ditadura militar, que mandara incendiar sua sede no Rio de Janeiro, logo após o golpe de 1º. de abril de 1964, a União Nacional dos Estudantes(UNE) realiza o XXX Congresso num sítio do Bairro dos Alves, a uns vinte quilômetros do centro de Ibiúna pela estrada de São Sebastião.
O local é de difícil acesso. Juntamente com dois colegas, representando os universitários de Caxias do Sul, cheguei em São Paulo na manhã de terça-feira, viajei para o encontro marcado numa praça de Sorocaba, voltei para São Paulo, instalando-me num alojamento da USP, onde fiquei até a noite de quarta-feira, participando de reuniões e manifestações contra a ditadura, sob a constante ameaça da polícia e do exército, que depois acaba acontecendo.
Na noite de quarta-feira, assim como nas noites anteriores, carros particulares conduziam estudantes até uma certa altura da Rodovia Raposo Tavares.
De lá, na carroceria de caminhões, fomos até o Bairro dos Alves, percorrendo a pé os últimos quilômetros até o sítio do Congresso, onde chegamos na quinta pela manhã.
As instalações eram extremamente precárias: um acampamento de lona para as assembléias, um galpão onde uns poucos podiam dormir em sistema de revezamento – a maioria dormia no local das assembléias onde não se podia entrar sem tirar os calçados, já que chovia muito, o barro era abundante e o chão também havia sido revestido com lona – um chiqueirão desativado que servia de cozinha.
E lá estávamos cerca de mil estudantes de todo o Brasil – algumas delegações, duas ou três, nem conseguiram chegar – sem a mínima infra-estrutura de alimentação, alojamento, higiene.
No sábado, finalmente, após um difícil e prolongado processo de credenciamento, o Congresso teria início. Mas, quando acordamos, por volta das sete horas, vimo-nos cercados por mais de 250 policiais fortemente armados, dando tiros para o alto.

Continue lendo no link:

domingo, 11 de setembro de 2011

Por que os bons morrem?


Por que os bons morrem?
filme - Lamarca: Capitão das Guerrilhasfilme Pra Frente Brasil
Por que os bons morrem? Era essa a pergunta que ficava na minha mente de criança e de adolescente quando assisti dois filmes brasileiros: Pra Frente Brasil Lamarca: O Capitão das Guerrilhas.
cena do filme Pra Frente Brasil
Cena do Filme Pra Frente Brasil
No primeiro filme o personagem principal é interpretado pelo ator Reginaldo Faria. Ele não era guerrilheiro, mas foi preso e torturado, sendo acusado de pertencer a algum grupo da Esquerda Armada. Após sofrer diversas torturas nas prisões da OBAN – Operação Bandeirantes, centro de torturas financiado por empresários de São Paulo, o homem no final do filme não agüenta mais o sofrimento e morre, como tantas pessoas que viveram aquela barbárie, aquele tempo onde um cidadão poderia ser preso e condenado a morte sem provas nem julgamento.


Continue lendo no link:

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A guerrilheira Dinaelza Santana Coqueiro, A Mariadina


Dinaelza Santana Coqueiro,
A Mariadina (1949–1973)

DINAELZA SANTANA COQUEIRO

Reproduzo hoje, trecho do livro Direito à Memória e a Verdade sobre a guerrilheira Mariadina que lutou na guerrilha do Araguaia. Além de um vídeo com o depoimento de Maria da Paz, filha de camponeses, que tinha apenas dez anos quando conviveu com ela, mas lembra com detalhes a prisão e morte da guerrilheira, que lutou até o fim. 

Filiação: Junília Soares Santana e Antônio Pereira de Santana
Data e local de nascimento: 22/03/1949, Vitória da Conquista (BA)
Organização política ou atividade: PCdoB
Data do desaparecimento: 08/04/1974

Baiana de Vitória da Conquista, estudou em Jequié (BA), no Instituto Educacional Régis Pacheco, onde organizou o grêmio dos alunos. Em 1969, foi para Salvador cursar Geografia na Universidade Católica. Participou ativamente do Movimento Estudantil, sendo eleita para a Comissão Executiva do DCE. Nessa época, casou-se com Vandick, estudante de Economia, também desaparecido no Araguaia. Em 1970,
ela e o marido já integravam o comitê estudantil do PCdoB. Trabalhou na empresa aérea Sadia, depois Transbrasil, até 1971, quando pediu demissão e foi deslocada para a região do Gameleira, no Araguaia, onde se tornou mais conhecida como Mariadina.
No sul do Pará, integrou o Destacamento B da guerrilha. Dinaelza participou de vários enfrentamentos armados. Sinésio Martins Ribeiro, guia do Exército na época, afirmou em depoimento prestado em São Geraldo do Araguaia, em 19/07/01: “ficou sabendo pelo Pedro Galego e Iomar Galego que a Mariadina (Dinaelza) foi presa no rumo da OP-1, dentro da mata; que quem prendeu ela foi o mateiro Manoel Gomes e entregou para o Exército; que segundo soube o depoente, ela foi levada para a casa do Arlindo Piauí para contar onde estavam os outros e outras informações; que ela não falou nada; que lhe contaram que ela era muito bruta, porque ela não respondia nenhuma das perguntas e também cuspiu nos doutores; que por isso mataram ela um pouco adiante da casa do Arlindo Piauí, dentro da mata; (...)”.
No relatório do Ministério do Exército, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, consta que, “usava os codinomes Dinorá e Maria Dina e que sua carteira de identidade havia sido apreendida em um aparelho rural do PCdoB”. Já o relatório do Ministério da Marinha, do mesmo ano, registra que “Dinaelza foi morta em 8 de abril de 1974. (...) relacionada entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural. Levada a efeito pelo Comitê Central do PCdoB, em Xambioá”. Segundo depoimento de moradores de Xambioá, Dinaelza foi capturada por forças do Exército.


Continue lendo no link:



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Guerrilha no Brasil - Fusca modelo peneira


Guerrilha no Brasil - Fusca modelo peneira

guerrilha no Brasil - Carlos Eugênio Paz

Reproduzo hoje mais uma parte do livro Viagem à luta armada de Carlos Eugênio Paz: último comandante da ALN vivo. Nesse trecho ele relembra um de seus conflitos com a repressão. Através de suas memórias, podemos conhecer um pouco das histórias de luta desses brasileiros, que arriscaram suas vidas para tornar nosso país um lugar mais justo.

COM DIOGO morrem as possibilidades de lançamento imediato da guerrilha rural. Atônitos, recomeçamos a reunião, com a nova realidade a enfrentar, precisamos traçar novas diretrizes e assumir o comando da Organização. Aqui, a experiência de Tato mostra-se de grande valia.

— Temos que imprimir um documento dirigido à nação e espalhá-lo pelas ruas aproveitando a Campanha do Voto Nulo. Um documento interno deve conclamar os militantes a cerrarem fileiras em torno da Coordenação Nacional para que possamos, no mais breve tempo, retomar os planos de levar a luta ao campo. Devemos realizar ações para levantar o moral, mas não há mais sentido em desencadear a Quinzena Fabiano. Cada um de nós deve sair daqui com a firme convicção da necessidade de prosseguir a luta até que libertemos nosso povo da opressão. Se alguém não quiser assumir essas responsabilidades tem a obrigação de falar agora, outros podem realizar suas tarefas, diante do quadro, não seria vergonha um recuo. Vamos contatar as organizações da Frente e declarar nossas intenções de continuar a trabalhar no mesmo espírito de colaboração implantado por Diogo. Estando todos de acordo, nos resta seguir em frente, o trabalho será longo e penoso, e nós, como Coordenação Nacional, devemos dar o exemplo e demonstrar confiança em nossos propósitos. Não é hora de chorar nossos mortos, e sim de honrá-los.

Arregaçamos as mangas e começamos a reconstruir nossos esquemas. Continuo no comando militar de São Paulo, ajudado por Altino, Hélio volta ao Rio, Tato sai em busca de recontatar nossos esquemas na Área Estratégica Mário desaparece logo depois de sair do aparelho, deixando de cobrir os pontos com a Organização, sem dar nenhuma notícia. Não sabemos se caiu ou se fugiu do país, eu e Marcelaabandonamos nosso apartamento e, enquanto procuramos alugar uma casa, dormimos em lugares inusitados, arriscando nossas vidas. Ora pegamos um ônibus até Aparecida do Norte, cidade de romeiros, acostumada a receber todo tipo de gente, o que nos dá certa tranqüilidade, ora dormimos no trem noturno até Bauru, onde descemos e pegamos outro de volta, dormindo mais algumas horas.

Hugo e Seishi nos oferecem solidariedade, mas nossa estrutura na cidade está incólume, o traidor não conseguiu penetrá-la. Resolvo começar a Campanha o mais rapidamente possível, temos que mostrar nossa disposição de luta. Saio às ruas para panfletar com Marcela e Seishi.

Eu ao volante com minhas armas pessoais e a indefectível metralhadora no freio de mão, Seishi no banco do carona, com outra matraca, Marcela atrás, pistola e revólver.

Vila Prudente, favela, passamos pela rua que a ladeia, paramos em cada viela de acesso, distribuímos o material e seguimos em frente. Já estivemos em três bairros sem problemas. Terminados os panfletos, acelero, precisamos sair da área. Algumas centenas de metros mais à frente, um caminhão manobra bloqueando a rua. Diminuo a velocidade e paro o carro controlando os retrovisores. Um táxi VW 1600 vem em nossa direção com os faróis acesos e as duas portas traseiras abertas. Sinal de perigo, dou o alarme.

— Polícia...

Meu faro instantâneo salva vidas, O táxi nos ultrapassa pelo meu lado e freia nos fechando em diagonal. No momento em que nos abaixamos, balas espatifam o pára-brisa e zunem acima de nossas cabeças. O cheiro acre me desperta para o combate. Abro minha porta para servir de escudo, disparo pela janela o primeiro pente de pistola, recarrego, recomeço os disparos e grito:

— Sai com a matraca, Seishi, dou cobertura...


Continue lendo no link:

http://www.comunistas.spruz.com/pt/Guerrilha-no-Brasil---fusca-modelo-peneira/blog.htm

domingo, 7 de agosto de 2011

Ex-guerrilheiro Celso Lungaretti resgata a sua honra

Ex-guerrilheiro Celso Lungaretti resgata a sua honra

Celso Lungaretti - Náufrago da Utopia

Celso Lungaretti e seu livro Náufrago da Utopia: vencer ou morrer na guerrilha aos 18 anos


Reproduzo hoje artigo do Jornal O Rebate que traz uma entrevista com o ex-guerrilheiro da VPR, Celso Lungaretti. Depois de ser acusado por mais de 30 anos de ter sido o traidor da guerrilha ele finalmente conseguiu provar sua inocência.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE CELSO LUNGARETTI

“Hoje, tenho certeza de que meus descendentes não se envergonharão de mim.”

Celso Lungaretti

Injustiçado por mais de 34 anos o ex-guerrilheiro Celso Lungaretti, conseguiu provar a sua inocência no final de 2004, com o lançamento do livro Náufrago da Utopia.

A história de Celso se confunde com a história de muitos guerrilheiros injustiçados pela esquerda armada dos anos 60/70. Podemos citar entre eles Paulo de Tarso Venceslau, Wellington Moreira Diniz e Cláudio Torres. O certo é que poucos militantes foram tão injustiçados como ele, que hoje nos concede essa entrevista à fim de esclarecer alguns fatos ainda obscuros por tantos anos e que vieram a tona com o lançamento desse livro.

Celso Lungaretti é paulistano, nascido em 06/10/1950, filho único de Reynaldo Lungaretti (contra-mestre de fiação e tecelagem) e Mafalda Vannucci Lungaretti (dona-de-casa). O seu livro foi lançado pela Geração Editorial, do Luiz Fernando Emediato, em 10/11/2005.

Em mais e 14 páginas de entrevista concedida a mim, ele fala sobre a sua militância no movimento estudantil no ano de 1968, como começou a se interessar pela guerrilha, como foi seu recrutamento na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), fala sobre as falsas acusações feitas por ex-companheiros de militância, e fala sobre sua reabilitação. A entrevista é longa, porém, extremamente esclarecedora, e pedimos aos amigos leitores, que a leiam com muita atenção, para que não haja dúvida alguma sobre o assunto.

Ele foi acusado por Lamarca e pela VPR, de ter sido o delator da área de treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira, e por conta dessas falsas acusações ele ficou de fora da lista de militantes a serem trocados peloembaixador alemão que foi seqüestrado em julho de 1970. Isso gerou na repressão uma grande repulsa por ele que ficou por vários meses incomunicável e sendo torturado, ainda com o peso nas costas da morte de Eremias Delizoicov (Eremias tinha 18 anos e foi morto com 35 tiros) e do bancário Roberto Macarini (este era bancário e simpatizante da VPR).

Agora, se vocês quiserem saber algo além do que ele disse aqui adquiram o seu livro, que contem uma riqueza muito maior de detalhes, sobre toda sua militância e vocês terão uma idéia também de como foi o sofrimento desse homem, suas tristezas, sua vida na clandestinidade, sua prisão, sua tortura, o desprezo dos companheiros que ainda hoje insistem em execrá-lo por algo que ele não cometeu.

Ciro Campelo - Celso, você era bem novo quando começou a militar no movimento estudantil. Com que idade você começou a militar, e o que te levou a ter essa consciência de militar no ME?

Celso Lungaretti:Eu tinha 16 anos e cursava o 2º ano do Científico de Engenharia numa escola da Mooca. Eu era muito tímido, e não ficava muito à vontade com as garotas do bairro, quase todas fãs da Jovem Guarda e dos Beatles, que eu detestava. O lugar dos meninos conhecerem as meninas eram os bailinhos, e eu era meio travado para dançar. Então, como qualquer adolescente, tinha muita vontade de chegar nas garotas, mas a falta de jeito me tolhia.

Ao mesmo tempo, lia livros de autores sérios como Dostoievski, Kafka, Camus, Sartre e Carlos Heitor Cony. Já começava a ver filmes de arte, como os do Godard e do Glauber Rocha.O Eremias, colega de escola desde criança, apresentou-me um dia a Maria das Graças, que estava na classe dele (começamos juntos, mas ele repetiu dois anos e foi ficando para trás, então estava na 4ª série ginasial). Ela era filha de um militante do PCB que teve de fugir da Bahia para São Paulo, ela estava mesmo é querendo formar uma base no nosso colégio, o MMDC.


Continue lendo no link:

http://www.comunistas.spruz.com/pt/Ex-guerrilheiro-Celso-Lungaretti-resgata-a-sua-honra/blog.htm

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Martirio do guerrilheiro Eduardo Colem Leite, o Bacuri

O Martírio do Guerrilheiro
Eduardo Colem Leite, o Bacuri
Bacuri (codinome Rafael) era um dos guerrilheiros mais “façanhudos”, chegando inclusive à passar por um barreira policial abrindo caminho à bala. Foi um dos militantes que participaram do sequestro do embaixador alemão. Sua morte na tortura foi uma das mais cruéis e se tornou símbolo do terror da repressão militar. Nesse trecho do livro Viagem à Luta ArmadaCarlos Eugênio Paz conta como Bacuri, através de telefonemas ameaçadores para o DOICODI, conseguiu libertar sua mulher Letícia, que estava grávida. Que as novas gerações conheçam a história de Eduardo Colem Leite, o Bacuri.
AS TAREFAS de implantar Altino, preparar a Quinzena e conseguir dinheiro caminham a contento, mas recebemos um golpe irreparável, a queda de Rafael no Rio de Janeiro. Um capitão do serviço secreto do Exército, infiltrado na FL (Frente de Libertação Nacional), pequena organização dirigida pelo ex-major Cerqueira, entrega nosso combatente, durante levantamento do embaixador inglês, à equipe de busca e tortura do deIegado do DOPS-SP, responsável pelo assassinato de Fabiano. Começa o martírio de um militante inestimável e nossi luta desesperada para salvá-lo das garras de seus algozes.

Por que tudo aconteceu com Rafael? Penso nisso do meu túnel, minhas seringas, meus espelhos e meus sonhos, Às vezes julgo encontrar a resposta, de repente as imagens se obscurecem e a certeza se esvai. Rafael era um grande quadro de ação e sabemos o tratamento que eles recebiam nas mãos dos torturadores, mas o caso dele foi ímpar, pelos requintes de crueldade. Torturado semanas a fio, com algumas pausas para recuperar as forças e voltar ao sofrimento, até a morte. Não abriu pontos, mas continuou a apanhar como se ainda pudesse fazê-lo. Não conhecia aparelhos, mas os choques não paravam. A Organização sabia de sua prisão, mas o famigerado delegado disputava Rafael com o DOl-CODI, se aliando ao CENIMAR, escondendo-o em delegacias do subúrbio de São Paulo, somente para ter o prazer de comandar sua destruição. Podiam ter matado Rafael na rua, estava desarmado graças a um ardil do traidor, mas fizeram questão de prendê-lo vivo. As informações que tinha se tornaram obsoletas e seguiam torturando-o como se disso dependesse o fim da luta armada no Brasil. Já falei de seu olhar e de seu sorriso, mas é dificil descrever a luminosidade que transmitia sua presença. Sua dedicação era emocionante, não perdia tempo, agia e pensava os destinos da luta, incentivando os companheiros a fazerem o mesmo. Estive presente em dois momentos terríveis de sua vida: a morte trágica de Alberto e a prisão de Letícia, sua companheira, grávida de poucos meses.

EU E MARCELA vivemos em um quarto isolado na casa de Rafael, onde morreu Alberto, reservado para futuros seqüestros e situações de emergência, enquanto procuramos um imóvel adequado para montar um aparelho. Uma tarde, voltamos de olhos fechados para não conhecermos a localização, quando Rafael, nervoso, ordena: - Abram os olhos, deu merda.
Engatilho a matraca, pronto para o combate, e olho na direção que meu companheiro aponta. Letícia está sendo presa e não podemos fazer nada, são muitos, os homens do DOl-CODI, morreríamos todos.
— Filhos-da-puta, prenderam Letícia e ela está grávida, vão matá-la e ao bebê para saber onde estou. Vou ligar para o vizinho tentando um contato, talvez sabendo que estou informado da queda ela tenha uma chance. Vamos sair da área, está muito perigoso por aqui.
Rodamos até uma padaria tranqüila nas cercanias do Ibirapuera, pedimos cafés e ocupamos o telefone, costas guardadas por Marcela. Rafael liga para o vizinho e pede que chame Letícia, eles impedem o contato. Resolvemos telefonar para o comandante do II Exército, ele não atende, Rafael fala com o ajudante-de-ordens, um tenente-coronel.
— Aqui é Rafael, guerrilheiro da ALN. O DOl-CODI acabou de prender minha mulher e vão torturá-la para me entregar. Não há necessidade disso, assistimos a sua prisão, não tem mais informações a dar. Seu comandante responde pela vida dela e a do bebê e, se algo acontecer, não descansaremos enquanto não matá-lo. Transmita a mensagem imediatamente, senão será você o responsável. Volto a chamar para saber o que o general decidiu.

Continue lendo no link:

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ditadura Militar - Aulas de tortura

Brasil: Nunca Mais - Aulas de Tortura

Ditadura militar - Aula de tortura - Brasil: Nunca mais

O texto que reproduzo hoje é do livro Brasil: Nunca Mais da Arquidiocese de São Paulo. O livro foi feito usando os arquivos corajosamente roubados do Superior Tribunal Militar em plena ditadura do general Figueiredo. Esse arriscado empreendimento foi possível graças ao apoio financeiro de dois religiosos: o Cardeal Arcebispo de São Paulo Don Paulo Evaristo Arns e o Secretário-Geral do CMI Conselho Mundial de Igrejas que congregava diversas igrejas pentecostais, ortodoxas e protestantes. Saiba mais sobre isso no post: Para o Exército, PT seria incubadora de terroristas. Este livro é um resumo do resumo dos arquivos da ditadura que ficaram guardados na ONU e foram recentemente devolvidos ao Brasil.

CASTIGO CRUEL, DESUMANO E DEGRADANTE

As experiências que desejo relatar no frontispício desta obra pretendem reforçar a idéia subjacente em todos os capítulos, a saber, que a tortura, além de desumana, é o meio mais inadequado para levar-nos a descobrir a verdade e chegar a paz.

Não há ninguém na Terra que consiga descrever a dor de quem viu um ente querido desaparecer atrás das grades da cadeia, sem mesmo poder adivinhar o que lhe aconteceu. O “desaparecido” transforma-se numa sombra que ao escurecer-se vai encobrindo a última luminosidade da existência terrena.

O que mais me impressionou, ao longo dos anos de vigília contra a tortura, foi porém o seguinte: como se degradam os torturadores mesmos. Esse livro, por sua própria natureza, não pode dar resposta plena à questão.

Advertia um general, aliás contrário a toda a tortura: quem uma vez pratica a ação, se transforma diante do efeito da desmoralização infringida. Quem repete a tortura quatro ou mais vezes se bestializa, sente prazer físico e psíquico tamanho que é capaz de torturar até as pessoas mais delicadas da própria família.

A imagem de Deus, estampada na pessoa humana, é sempre única. Só ela pode salvar e preservar a imagem do Brasil e do mundo.

Paulo Evaristo, CARDEAL ARNS

Arcebispo Metropolitano

de São Paulo

A tortura é o crime mais cruel e bárbaro contra a pessoa humana. Tradicionalmente se argumentou que a tortura era um meio de forçar as pessoas a falarem a verdade. A realidade de hoje, porém, mostra que, com os sofisticadíssimos instrumentos de tortura, não somente física mas mental também, é possível dobrar o espírito das pessoas e faze-las admitir tudo quanto for sugerido pelo torturador. Essa é a própria negação da identidade humana legada por Deus, e contraria a vontade do nosso Criador. O que é especialmente intolerável nos dias de hoje é que, justamente quando a maioria dos povos subscreve o reconhecimento e defesa dos direitos humanos e a dignidade do ser humano, esses direitos estão sendo mais flagrantemente suprimidos e violados no mundo inteiro.

Cremos, como cristãos, que a única e verdadeira segurança nacional reside em facilitar a plena participação das pessoas na vida do seu país. Somente quando houver diálogo e uma vida de confiança e respeito mútuo entre as pessoas em todos os níveis da sociedade, somente então poderá existir a verdadeira segurança nacional.

Livro não pretende ser meramente uma acusação, mas sim um convite para que todos nós reconheçamos nossa verdadeira identidade através das faces desfiguradas dos torturados e dos torturadores. Fazemos isso em nome de Cristo que foi torturado e crucificado para que tivéssemos vida em toda sua plenitude. Na cruz, Jesus intercedeu pelos seus torturadores. Foi este Jesus que falou aos seus discípulos, assim como a nós: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. E aquela verdade é conhecida e praticada quando se é justo e se afirma a dignidade de cada ser humano.

Philip Potter

Secretário Geral do Conselho

Mundial de Igrejas

AULAS DE TORTURA: OS PRESOS-COBAIA

O estudante Angelo Pezzuti da Silva, 23 anos, preso em Belo Horizonte e torturado no Rio, narrou ao Conselho de Justiça Militar de Juiz de Fora, em 1970:

(...); que, na PE (Polícia do Exército) da GB, verificaram o interrogado e seus companheiros que as torturas são uma instituição, vez que, o interrogado foi o instrumento de demonstrações práticas desse sistema, em uma aula de que participaram mais de 100 (cem) sargentos e cujo professor era um Oficial da PE, chamado Tnt. Ayton que, nessa sala, ao tempo em que se projetavam “slides” sobre tortura, mostrava-se na prática para a qual serviram o interrogado, MAURICIO PAIVA, AFONSO CELSO, MURILO PINTO, P. PAULO BRETAS, e, outros presos que estavam na PE-GB, de cobaias; (...)

A denúncia é confirmada no mesmo Processo, por depoentes acima citados, como o estudante, de 25 anos, Maurício Vieira de Paiva:

(...) que o método de torturas foi institucionalizado em nosso País e, que a prova deste fato não está na aplicação das torturas pura e simplesmente, mas, no fato de se ministrarem aulas a este respeito, sendo que, em uma delas o Interrogado e alguns dos seus companheiros, serviram de cobaias, aula esta que se realizou na PE da GB, foi ministrada para cem (100) militares das Forças Armadas, sendo seu instrutor um ten. HAYTON, daquela U.M.; que, à concomitância da projeção dos “slides” sobre torturas elas eram demonstradas na prática, nos acusados, como o interrogado e seus companheiros, para toda a platéia; (...)


Continue lendo no link:

http://www.comunistas.spruz.com/pt/Ditadura-Militar---Aulas-de-tortura/blog.htm