quarta-feira, 22 de junho de 2011

Grupos Revolucionários de Esquerda pouco conhecidos

Grupos revolucionários

de Esquerda pouco conhecidos

Cena do filme cabra-cega

Na seção Guerrilha vocês podem conhecer os principais grupos revolucionários que lutaram contra a ditadura no Brasil e algumas de suas ações. Aqui neste post mostrarei alguns grupos pouco conhecidos da Esquerda Armada.

PORT - Partido Operário Revolucionário (Trotskista)

As primeiras dissidências de inspiração trotskista surgidas no Brasil remontam a 1929, logo após a expulsão de Trotsky da União Soviética. Os primeiros comunistas brasileiros que se alinharam com as idéias de Trotsky quando de seu rompimento com o Partido dirigido por Stálin organizaram-se como Liga Comunista Internacionalista ou Oposição Internacionalista de Esquerda. De início os trotskistas brasileiros acreditavam na possibilidade de “regeneração do PCB” e atuavam prioritariamente como propagandistas de posições políticas destinadas a viabilizar a esperada mudança.

Como regra geral, os trotskistas brasileiros não lograram constituir partidos com penetração expressiva no movimento operário e suas fileiras tiveram composição marcadamente intelectual. Em 1937, quando boa parte do CC do PCB se encontrava nos cárceres políticos de Getúlio Vargas, ocorreu uma cisão trotskista liderada por Hermínio Sachetta no Regional de São Paulo, que foi acompanhada por um certo número de bases operárias. Esse grupo criou um Partido Socialista Revolucionário, em 1943, que se dissolveu no final da mesma década. Em 1938 Trotsky fundou no México a IV Internacional e a partir dai o trotskismo brasileiro passou a ter nesse organismo sua referência fundamental. Em 1953, quando a IV Internacional era dirigida por Michel Pablo, foi fundado no Brasil Partido Operário Revolucionário (Trotskista), sob influência do argentino Hornero Cristali, conhecido pela alcunha de J. Posadas, responsável pelo Birô Latino-Americano da IV Internacional.

O PORT ganhou alguma repercussão de âmbito nacional nos anos imediatamente anteriores ao Golpe Militar, quando, apesar de reduzido a pequenos contingentes de São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, destacava-se pela proposição de táticas radicais de mobilização, dinamizando as Ligas Camponesas no Nordeste, buscando penetrarem determinadas bases das Forças Armadas e opondo-se frontalmente a qualquer política de moderação, como a proposta pelo PCB naquele momento.

Com o Golpe Militar, o PORT foi atingido pela repressão, formando-se contra ele volumosos processos, especialmente em Pernambuco e São Paulo. Gradualmente conseguiu recompor seu aparelho orgânico para manter, a partir de 1966, uma intervenção restrita ao meio estudantil e algumas áreas operárias, em São Paulo, Rio Grande do Sul e Brasília. Condenou energicamente os grupos que se lançaram à luta armada em 1968 e tentou deslocar seus reduzidos contingentes para o meio sindical, embora fossem em sua maioria provenientes do ME. Com pequena penetração de massa e tratado quase sempre com ironia pelos demais grupos marxistas, o PORT viveu novos golpes da repressão entre 1970 e 1972, ao mesmo tempo em que seus posicionamentos políticos passaram a desencadear, desde 1968, processos internos de cisão para constituição de outros agrupamentos trotskistas.


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