sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Julio vive e morre – A prisao do guerrilheiro Celso Lungaretti
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Pedro Lobo: militar, guerrilheiro, militar
A chegada de um trem na Rússia: “-É ele, é Lênin!”
Malditos comunistas! Por José Roberto Torero
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
A PRIMEIRA REVISTA EM QUADRINHOS SOVIÉTICA: UM POUCO DE HISTÓRIA
A PRIMEIRA REVISTA EM QUADRINHOS SOVIÉTICA: UM POUCO DE HISTÓRIA

Lamarca: o guerrilheiro apaixonado
domingo, 9 de outubro de 2011
Guerrilha no Brasil: O Sequestro do Embaixador Suíço
Surgiram no espelho às 9,15 hs., em ponto.
Abri a porta do Volks bege para os três que chegaram a passo apressado, vindos do outro lado do muro. A rua do transbordo era serpenteada de paralelepípedos, uma das curvas à volta de um muro fortificado,
O fuscão turqueza, que instantes antes os deixara do outro lado dessa curva, passou apressado ladeira acima. Nisso Ivan já segurava 1 porta e fazia sinal pro embaixador entrar. Paulista mão no Smith & Wesson, dava a cobertura.
Me deparei com ele, de terno e gravata, rosto carnudo, avermelhado, um nariz grosso, robusto jeitão europeu bem nutrido. Um par de olhos assustados.
— You will be well treated. (Você vai ser bem tratado.)
Assumi de novo minhas funções de intérprete oficial da VPR.
domingo, 2 de outubro de 2011
Jornalista da Globo diz (sem querer) que emissora ajudou os terroristas do Riocentro
Jornalista da Globo diz (sem querer) que emissora ajudou os terroristas do Riocentro
Reproduzo abaixo texto do Blog os amigos do presidente Lula com a denúncia de que a Globo acobertou os militares terroristas que tentaram explodir uma bomba no show do Riocentro em 1981. O objetivo era culpar a Esquerda Armada (já extinta) e evitar o fim da ditadura militar e a redemocratização do Brasil. Mais detalhes sobre o atentado você pode ver nesse post: [Entenda o que foi o atentado do Riocentro]. Em seu discurso na ABL o jornalista Merval Pereira provou mais uma vez que a burrice é imortal e acabou confessando que a Globo esperou o crime prescrever para somente depois dizer os nomes dos envolvidos no atentado.
Merval confessa que Globo só publicou a verdade do Riocentro quando o crime prescreveu
A impunidade é a mãe da corrupção. Com a impunidade, o crime compensa para quem é corrupto. Uma das estratégias mais comuns dos corruptos para "conquistar" a impunidade é deixar o tempo correr até a prescrição do crime.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Ditadura Militar: Prisão de estudantes no congresso secreto da UNE em Ibiúna
domingo, 11 de setembro de 2011
Por que os bons morrem?
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Revista Soviética SPUTNIK - O Mausoléu de Lênin
Revista Soviética SPUTNIK
O Mausoléu de Lênin
Reproduzo hoje três artigos da revista soviética Sputnik de 1º de Janeiro de 1968: O Mausoléu de Lênin, Por que você quer um ano novo? e O Ameaçador e Glorioso Ártico
O MAUSOLÉU DE LÊNIN
Depois da morte de Lênin em 21 de janeiro de 1924, Foi decidido imortalizar sua memória e construir um mausoléu na Praça Vermelha.
A troca da guarda do Mausoléu. Em segundo plano a Spassky Tower do Kremlin – Os sinos do relógio, como no Big Ben, são transmitidos ao longo da União Soviética.O Mausoléu foi projetado pelo arquiteto Alexei Shchusev em princípios construtivistas, difundido nos anos 20 e 30, ainda combinava bem com a arquitetura da velha praça – as elegantes linhas da Catedral de São Basílio e das torres do Kremlin.
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Guerrilha no Brasil - Fusca modelo peneira
Guerrilha no Brasil - Fusca modelo peneira
Reproduzo hoje mais uma parte do livro Viagem à luta armada de Carlos Eugênio Paz: último comandante da ALN vivo. Nesse trecho ele relembra um de seus conflitos com a repressão. Através de suas memórias, podemos conhecer um pouco das histórias de luta desses brasileiros, que arriscaram suas vidas para tornar nosso país um lugar mais justo.
COM DIOGO morrem as possibilidades de lançamento imediato da guerrilha rural. Atônitos, recomeçamos a reunião, com a nova realidade a enfrentar, precisamos traçar novas diretrizes e assumir o comando da Organização. Aqui, a experiência de Tato mostra-se de grande valia.
— Temos que imprimir um documento dirigido à nação e espalhá-lo pelas ruas aproveitando a Campanha do Voto Nulo. Um documento interno deve conclamar os militantes a cerrarem fileiras em torno da Coordenação Nacional para que possamos, no mais breve tempo, retomar os planos de levar a luta ao campo. Devemos realizar ações para levantar o moral, mas não há mais sentido em desencadear a Quinzena Fabiano. Cada um de nós deve sair daqui com a firme convicção da necessidade de prosseguir a luta até que libertemos nosso povo da opressão. Se alguém não quiser assumir essas responsabilidades tem a obrigação de falar agora, outros podem realizar suas tarefas, diante do quadro, não seria vergonha um recuo. Vamos contatar as organizações da Frente e declarar nossas intenções de continuar a trabalhar no mesmo espírito de colaboração implantado por Diogo. Estando todos de acordo, nos resta seguir em frente, o trabalho será longo e penoso, e nós, como Coordenação Nacional, devemos dar o exemplo e demonstrar confiança em nossos propósitos. Não é hora de chorar nossos mortos, e sim de honrá-los.
Arregaçamos as mangas e começamos a reconstruir nossos esquemas. Continuo no comando militar de São Paulo, ajudado por Altino, Hélio volta ao Rio, Tato sai em busca de recontatar nossos esquemas na Área Estratégica Mário desaparece logo depois de sair do aparelho, deixando de cobrir os pontos com a Organização, sem dar nenhuma notícia. Não sabemos se caiu ou se fugiu do país, eu e Marcelaabandonamos nosso apartamento e, enquanto procuramos alugar uma casa, dormimos em lugares inusitados, arriscando nossas vidas. Ora pegamos um ônibus até Aparecida do Norte, cidade de romeiros, acostumada a receber todo tipo de gente, o que nos dá certa tranqüilidade, ora dormimos no trem noturno até Bauru, onde descemos e pegamos outro de volta, dormindo mais algumas horas.
Hugo e Seishi nos oferecem solidariedade, mas nossa estrutura na cidade está incólume, o traidor não conseguiu penetrá-la. Resolvo começar a Campanha o mais rapidamente possível, temos que mostrar nossa disposição de luta. Saio às ruas para panfletar com Marcela e Seishi.
Eu ao volante com minhas armas pessoais e a indefectível metralhadora no freio de mão, Seishi no banco do carona, com outra matraca, Marcela atrás, pistola e revólver.
Vila Prudente, favela, passamos pela rua que a ladeia, paramos em cada viela de acesso, distribuímos o material e seguimos em frente. Já estivemos em três bairros sem problemas. Terminados os panfletos, acelero, precisamos sair da área. Algumas centenas de metros mais à frente, um caminhão manobra bloqueando a rua. Diminuo a velocidade e paro o carro controlando os retrovisores. Um táxi VW 1600 vem em nossa direção com os faróis acesos e as duas portas traseiras abertas. Sinal de perigo, dou o alarme.
— Polícia...
Meu faro instantâneo salva vidas, O táxi nos ultrapassa pelo meu lado e freia nos fechando em diagonal. No momento em que nos abaixamos, balas espatifam o pára-brisa e zunem acima de nossas cabeças. O cheiro acre me desperta para o combate. Abro minha porta para servir de escudo, disparo pela janela o primeiro pente de pistola, recarrego, recomeço os disparos e grito:
— Sai com a matraca, Seishi, dou cobertura...
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domingo, 7 de agosto de 2011
Ex-guerrilheiro Celso Lungaretti resgata a sua honra
Ex-guerrilheiro Celso Lungaretti resgata a sua honra
Celso Lungaretti e seu livro Náufrago da Utopia: vencer ou morrer na guerrilha aos 18 anos
Reproduzo hoje artigo do Jornal O Rebate que traz uma entrevista com o ex-guerrilheiro da VPR, Celso Lungaretti. Depois de ser acusado por mais de 30 anos de ter sido o traidor da guerrilha ele finalmente conseguiu provar sua inocência.
A VERDADEIRA HISTÓRIA DE CELSO LUNGARETTI
“Hoje, tenho certeza de que meus descendentes não se envergonharão de mim.”
Celso Lungaretti
Injustiçado por mais de 34 anos o ex-guerrilheiro Celso Lungaretti, conseguiu provar a sua inocência no final de 2004, com o lançamento do livro Náufrago da Utopia.
A história de Celso se confunde com a história de muitos guerrilheiros injustiçados pela esquerda armada dos anos 60/70. Podemos citar entre eles Paulo de Tarso Venceslau, Wellington Moreira Diniz e Cláudio Torres. O certo é que poucos militantes foram tão injustiçados como ele, que hoje nos concede essa entrevista à fim de esclarecer alguns fatos ainda obscuros por tantos anos e que vieram a tona com o lançamento desse livro.
Celso Lungaretti é paulistano, nascido em 06/10/1950, filho único de Reynaldo Lungaretti (contra-mestre de fiação e tecelagem) e Mafalda Vannucci Lungaretti (dona-de-casa). O seu livro foi lançado pela Geração Editorial, do Luiz Fernando Emediato, em 10/11/2005.
Em mais e 14 páginas de entrevista concedida a mim, ele fala sobre a sua militância no movimento estudantil no ano de 1968, como começou a se interessar pela guerrilha, como foi seu recrutamento na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), fala sobre as falsas acusações feitas por ex-companheiros de militância, e fala sobre sua reabilitação. A entrevista é longa, porém, extremamente esclarecedora, e pedimos aos amigos leitores, que a leiam com muita atenção, para que não haja dúvida alguma sobre o assunto.
Ele foi acusado por Lamarca e pela VPR, de ter sido o delator da área de treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira, e por conta dessas falsas acusações ele ficou de fora da lista de militantes a serem trocados peloembaixador alemão que foi seqüestrado em julho de 1970. Isso gerou na repressão uma grande repulsa por ele que ficou por vários meses incomunicável e sendo torturado, ainda com o peso nas costas da morte de Eremias Delizoicov (Eremias tinha 18 anos e foi morto com 35 tiros) e do bancário Roberto Macarini (este era bancário e simpatizante da VPR).
Agora, se vocês quiserem saber algo além do que ele disse aqui adquiram o seu livro, que contem uma riqueza muito maior de detalhes, sobre toda sua militância e vocês terão uma idéia também de como foi o sofrimento desse homem, suas tristezas, sua vida na clandestinidade, sua prisão, sua tortura, o desprezo dos companheiros que ainda hoje insistem em execrá-lo por algo que ele não cometeu.
Ciro Campelo - Celso, você era bem novo quando começou a militar no movimento estudantil. Com que idade você começou a militar, e o que te levou a ter essa consciência de militar no ME?
Celso Lungaretti:Eu tinha 16 anos e cursava o 2º ano do Científico de Engenharia numa escola da Mooca. Eu era muito tímido, e não ficava muito à vontade com as garotas do bairro, quase todas fãs da Jovem Guarda e dos Beatles, que eu detestava. O lugar dos meninos conhecerem as meninas eram os bailinhos, e eu era meio travado para dançar. Então, como qualquer adolescente, tinha muita vontade de chegar nas garotas, mas a falta de jeito me tolhia.
Ao mesmo tempo, lia livros de autores sérios como Dostoievski, Kafka, Camus, Sartre e Carlos Heitor Cony. Já começava a ver filmes de arte, como os do Godard e do Glauber Rocha.O Eremias, colega de escola desde criança, apresentou-me um dia a Maria das Graças, que estava na classe dele (começamos juntos, mas ele repetiu dois anos e foi ficando para trás, então estava na 4ª série ginasial). Ela era filha de um militante do PCB que teve de fugir da Bahia para São Paulo, ela estava mesmo é querendo formar uma base no nosso colégio, o MMDC.
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terça-feira, 2 de agosto de 2011
O Martirio do guerrilheiro Eduardo Colem Leite, o Bacuri
Por que tudo aconteceu com Rafael? Penso nisso do meu túnel, minhas seringas, meus espelhos e meus sonhos, Às vezes julgo encontrar a resposta, de repente as imagens se obscurecem e a certeza se esvai. Rafael era um grande quadro de ação e sabemos o tratamento que eles recebiam nas mãos dos torturadores, mas o caso dele foi ímpar, pelos requintes de crueldade. Torturado semanas a fio, com algumas pausas para recuperar as forças e voltar ao sofrimento, até a morte. Não abriu pontos, mas continuou a apanhar como se ainda pudesse fazê-lo. Não conhecia aparelhos, mas os choques não paravam. A Organização sabia de sua prisão, mas o famigerado delegado disputava Rafael com o DOl-CODI, se aliando ao CENIMAR, escondendo-o em delegacias do subúrbio de São Paulo, somente para ter o prazer de comandar sua destruição. Podiam ter matado Rafael na rua, estava desarmado graças a um ardil do traidor, mas fizeram questão de prendê-lo vivo. As informações que tinha se tornaram obsoletas e seguiam torturando-o como se disso dependesse o fim da luta armada no Brasil. Já falei de seu olhar e de seu sorriso, mas é dificil descrever a luminosidade que transmitia sua presença. Sua dedicação era emocionante, não perdia tempo, agia e pensava os destinos da luta, incentivando os companheiros a fazerem o mesmo. Estive presente em dois momentos terríveis de sua vida: a morte trágica de Alberto e a prisão de Letícia, sua companheira, grávida de poucos meses.
EU E MARCELA vivemos em um quarto isolado na casa de Rafael, onde morreu Alberto, reservado para futuros seqüestros e situações de emergência, enquanto procuramos um imóvel adequado para montar um aparelho. Uma tarde, voltamos de olhos fechados para não conhecermos a localização, quando Rafael, nervoso, ordena: - Abram os olhos, deu merda.
Engatilho a matraca, pronto para o combate, e olho na direção que meu companheiro aponta. Letícia está sendo presa e não podemos fazer nada, são muitos, os homens do DOl-CODI, morreríamos todos.
— Filhos-da-puta, prenderam Letícia e ela está grávida, vão matá-la e ao bebê para saber onde estou. Vou ligar para o vizinho tentando um contato, talvez sabendo que estou informado da queda ela tenha uma chance. Vamos sair da área, está muito perigoso por aqui.
Rodamos até uma padaria tranqüila nas cercanias do Ibirapuera, pedimos cafés e ocupamos o telefone, costas guardadas por Marcela. Rafael liga para o vizinho e pede que chame Letícia, eles impedem o contato. Resolvemos telefonar para o comandante do II Exército, ele não atende, Rafael fala com o ajudante-de-ordens, um tenente-coronel.
— Aqui é Rafael, guerrilheiro da ALN. O DOl-CODI acabou de prender minha mulher e vão torturá-la para me entregar. Não há necessidade disso, assistimos a sua prisão, não tem mais informações a dar. Seu comandante responde pela vida dela e a do bebê e, se algo acontecer, não descansaremos enquanto não matá-lo. Transmita a mensagem imediatamente, senão será você o responsável. Volto a chamar para saber o que o general decidiu.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
A História das FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
A História das FARC
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
A guerrilha da Colômbia não é a única guerrilha ainda existente na América Latina. Além dela há a guerrilha zapatista no México e a do Sendero Luminoso no Peru. Mas as FARC é com certeza a mais polêmica. Até o presidente venezuelano Hugo Chávez, considerado por muitos um radical, disse que a guerrilha das FARC perdeu sua razão de ser, ou seja, não há mais lugar para esse tipo de luta. Mas alguns argumentam que os guerrilheiros apenas se defendem do terrorismo de Estado do governo Liberal-fascista colombiano, pois no passado as FARC formavam um partido político que foi dizimado pelos conservadores. O fato é que essa guerra civil continua fazendo centenas de vítimas, todos os anos, em nosso país vizinho. Qual a sua opinião sobre este conflito? Para enriquecer o debate reproduzo artigo da Revista Marxista Mouro e alguns vídeos sobre o assunto.
Notas sobre a origem das FARC-EP
Ana Carolina Ramos e Silva
Mestranda em Sociologia pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal de Goiás (UFG)
A história colombiana apresenta um grau de dramaticidade tão intenso que seus historiadores classificam seus períodos como etapas da Violência – com “v” maiúsculo. Este artigo visa tão somente dar uma idéia geral do significado dessa violência pelo ponto de vista daqueles que a testemunharam.
O foco central é o de explicar a origem do principal movimento guerrilheiro do país – as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) – cuja fundação foi no ano de 1966, assim como traçar um breve panorama dos principais movimentos de esquerda que lhe foram contemporâneos. Para isso é feita uma retrospectiva dos processos originários da luta armada a partir da década de 1930.difícil saber a origem da formação do militante de esquerda. Os estudos teóricos quase sempre vêm depois de uma formação cultural pontuada por princípios éticos e conceitos filosóficos adquiridos ainda na infância por meio de exemplos familiares ou referências históricas que marcaram os sentimentos de solidariedade humana e respeito pela vida, cultivados familiarmente.
A luta armada na Colômbia originou-se como uma resposta vinda dos próprios camponeses diante dos resultados de um árduo processo de lutas. Seus antecedentes estão na década de 1930, época em que o Partido Liberal (PL) chegou ao poder e por meio de reformas conseguiu conter o movimento das ligas camponesas que pressionavam pela reforma agrária contra a grande propriedade e foram lideradas por Gaitán1 e pelo Partido Comunista Colombiano (PCC).2 Tais reivindicações foram parcialmente atendidas durante governo liberal, denominado Revolução em Marcha, de Alfonso López Pumarejo. Em seu mandato promulgou-se a Lei de Terras (Lei 200 de 1936).3 No entanto essa concessão institucional foi abandonada pela promulgação da Lei 100 de 19444 que revogou os estatutos reformistas de 1936 no que tange à questão agrária, retornando os embates entre camponeses e latifundiários; liberais e conservadores. Para se ter uma idéia do grau de rivalidade entre liberais e conservadores nesta época, veja-se a afirmação a seguir:
O Partido Conservador aliado à Igreja e em ação com grupos abertamente fascistas semeou na população o espírito sectário através de um sistemático apontamento aos liberais como ateus e comunistas, e em uma suposta defesa dos valores cristãos foram construindo o ódio que irrigaria com sangue a história da violência dos anos seguintes. Na medida em que as contradições entre os partidos cresciam, os discursos e as práticas políticas se faziam mais violentos: começou com ameaça verbal e foram se instituindo formas de organização encarregadas de agenciar atos de violência contra a população liberal em uma espiral que logo se fez incontrolável.
No Partido Conservador foram se constituindo grupos de choque como os denominados ‘Centros de Ação Conservadora’ que à maneira dos cruzados enfrentavam os liberais através de mecanismos violentos. Agruparam-se intelectuais conservadores que se constituíram no que se conheceu como o grupo ‘Os Leopardos’, que assumiram a plenitude da defesa do pensamento da extrema direita, expressaram suas simpatias pelo fascismo de Mussolini e Hitler e desenvolveram em praça pública, na imprensa e no Parlamento uma furiosa oposição ao liberalismo (GALLEGO, 2008, p.29, tradução própria).
Em 1946 o Partido Conservador ganhou as eleições colombianas e em 1948 esses embates assumiram feições dramáticas. Ao final do último mandato liberal de Carlos Lleras Camargo, o PL encontrava-se enfraquecido por uma divisão interna gerada pelos desentendimentos acerca de quem seria o candidato presidencial nas eleições de 1946: Gabriel Turbay ou Jorge Eliécer Gaitán. Enfraquecido, o PL é derrotado nas urnas pelo Partido Conservador, que elegeu Mariano Ospina Pérez.
Em 1947, a divisão do PL é superada com a nomeação de Gaitán como chefe único do Diretório Nacional Liberal. Devido à sua popularidade junto às massas, Gaitán passou a ser uma ameaça à continuidade dos conservadores no poder. A partir de então, intensificou-se a perseguição por parte dos conservadores contra os adeptos do PL, especialmente nas regiões agrárias, o que levou Gaitán, como resposta, a organizar em fevereiro de 1948 a Marcha do Silencio em protesto aos ataques. Dias depois, em 9 de abril de 1948, Gaitán foi assassinado no centro de Bogotá, o que deu início ao processo de insurreição popular que ficou conhecido como Bogotazo e ao nefasto período da história colombiana que muitos autores convencionaram chamar de Violência.
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