sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Julio vive e morre – A prisao do guerrilheiro Celso Lungaretti
domingo, 7 de agosto de 2011
Ex-guerrilheiro Celso Lungaretti resgata a sua honra
Ex-guerrilheiro Celso Lungaretti resgata a sua honra
Celso Lungaretti e seu livro Náufrago da Utopia: vencer ou morrer na guerrilha aos 18 anos
Reproduzo hoje artigo do Jornal O Rebate que traz uma entrevista com o ex-guerrilheiro da VPR, Celso Lungaretti. Depois de ser acusado por mais de 30 anos de ter sido o traidor da guerrilha ele finalmente conseguiu provar sua inocência.
A VERDADEIRA HISTÓRIA DE CELSO LUNGARETTI
“Hoje, tenho certeza de que meus descendentes não se envergonharão de mim.”
Celso Lungaretti
Injustiçado por mais de 34 anos o ex-guerrilheiro Celso Lungaretti, conseguiu provar a sua inocência no final de 2004, com o lançamento do livro Náufrago da Utopia.
A história de Celso se confunde com a história de muitos guerrilheiros injustiçados pela esquerda armada dos anos 60/70. Podemos citar entre eles Paulo de Tarso Venceslau, Wellington Moreira Diniz e Cláudio Torres. O certo é que poucos militantes foram tão injustiçados como ele, que hoje nos concede essa entrevista à fim de esclarecer alguns fatos ainda obscuros por tantos anos e que vieram a tona com o lançamento desse livro.
Celso Lungaretti é paulistano, nascido em 06/10/1950, filho único de Reynaldo Lungaretti (contra-mestre de fiação e tecelagem) e Mafalda Vannucci Lungaretti (dona-de-casa). O seu livro foi lançado pela Geração Editorial, do Luiz Fernando Emediato, em 10/11/2005.
Em mais e 14 páginas de entrevista concedida a mim, ele fala sobre a sua militância no movimento estudantil no ano de 1968, como começou a se interessar pela guerrilha, como foi seu recrutamento na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), fala sobre as falsas acusações feitas por ex-companheiros de militância, e fala sobre sua reabilitação. A entrevista é longa, porém, extremamente esclarecedora, e pedimos aos amigos leitores, que a leiam com muita atenção, para que não haja dúvida alguma sobre o assunto.
Ele foi acusado por Lamarca e pela VPR, de ter sido o delator da área de treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira, e por conta dessas falsas acusações ele ficou de fora da lista de militantes a serem trocados peloembaixador alemão que foi seqüestrado em julho de 1970. Isso gerou na repressão uma grande repulsa por ele que ficou por vários meses incomunicável e sendo torturado, ainda com o peso nas costas da morte de Eremias Delizoicov (Eremias tinha 18 anos e foi morto com 35 tiros) e do bancário Roberto Macarini (este era bancário e simpatizante da VPR).
Agora, se vocês quiserem saber algo além do que ele disse aqui adquiram o seu livro, que contem uma riqueza muito maior de detalhes, sobre toda sua militância e vocês terão uma idéia também de como foi o sofrimento desse homem, suas tristezas, sua vida na clandestinidade, sua prisão, sua tortura, o desprezo dos companheiros que ainda hoje insistem em execrá-lo por algo que ele não cometeu.
Ciro Campelo - Celso, você era bem novo quando começou a militar no movimento estudantil. Com que idade você começou a militar, e o que te levou a ter essa consciência de militar no ME?
Celso Lungaretti:Eu tinha 16 anos e cursava o 2º ano do Científico de Engenharia numa escola da Mooca. Eu era muito tímido, e não ficava muito à vontade com as garotas do bairro, quase todas fãs da Jovem Guarda e dos Beatles, que eu detestava. O lugar dos meninos conhecerem as meninas eram os bailinhos, e eu era meio travado para dançar. Então, como qualquer adolescente, tinha muita vontade de chegar nas garotas, mas a falta de jeito me tolhia.
Ao mesmo tempo, lia livros de autores sérios como Dostoievski, Kafka, Camus, Sartre e Carlos Heitor Cony. Já começava a ver filmes de arte, como os do Godard e do Glauber Rocha.O Eremias, colega de escola desde criança, apresentou-me um dia a Maria das Graças, que estava na classe dele (começamos juntos, mas ele repetiu dois anos e foi ficando para trás, então estava na 4ª série ginasial). Ela era filha de um militante do PCB que teve de fugir da Bahia para São Paulo, ela estava mesmo é querendo formar uma base no nosso colégio, o MMDC.
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quinta-feira, 26 de maio de 2011
Até quando Dilma criará a cobra que Lula deixou?
Até quando Dilma criará
a cobra que Lula deixou?
Na foto acima está a herança maldita de Lula: a cobra fardada
Sinceramente tem coisas no PT que são difíceis de entender. Não sei como um partido que se considera de Esquerda pode ter entre seus ministros um indivíduo como Nelson Jobim, que fez de tudo, e ainda faz, para impedir a criação da Comissão da Verdade, que investigaria e tentaria punir judicialmente os torturadores da ditadura militar. Que usou e abusou dos holofotes da mídia conservadora para constranger o ministro dos Direitos Humanos Vannuchi. Ministro este que teve seu próprio irmão assassinado nos porões do DOPS. Como se não bastasse, o Ministro Jobim já foi desmascarado pelo wikileaks que vazou que ele repassava informações sigilosas ao embaixador americano. Existem coisas que não dá para conciliar. Não dá para investigar os crimes do passado sem constranger os militares de pijamas. Já está na hora da presidenta Dilma tomar uma decisão. Mostrar que o nosso país não é a República dos bolsonaros.
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terça-feira, 12 de abril de 2011
PODERIA TER SIDO SUA FILHA, SUA IRMÃ, SUA NAMORADA...
PODERIA TER SIDO SUA FILHA, SUA IRMÃ, SUA NAMORADA...
Nilda Carvalho Cunha foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento onde morreu Iara Iavelberg. Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar o guerrilheiro Carlos Lamarca e seu grupo.
Nilda foi liberada no início de novembro do mesmo ano, profundamente debilitada em consequência das torturas sofridas. Morreu em 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Ela tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária na época em que passou a militar no MR-8 e a viver com Jaileno Sampaio.
[...] um pouco do que Nilda contou de sua prisão:
– Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante daquele homem corpuloso. – Olha, minha filha, você vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram. Não é você que vai ficar calada [...]. Dos que foram presos no apartamento do edifício Santa Terezinha, apenas Nilda Cunha e Jaileno Sampaio ficaram no Quartel do Barbalho. Ela, aos 17 anos, ele, com 18. – Mas eu não sei quem é o senhor... – Eu matei Marighella. Ela entendeu e foi perdendo o controle. Ele completava: – Vou acabar com essa sua beleza – e alisava o rosto dela. Ali estava começando o suplício de Nilda. Eram ameaças seguidas, principalmente as do major Nilton de Albuquerque Cerqueira. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pôde abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio. No início de novembro, decidem libertá-la. [...] Na saída, descendo as escadas, ela grita: – Minha mãe, me segure que estou ficando cega. Foi levada num táxi, chorando, sentindo-se sufocada, não conseguia respirar. Daí para a frente foi perdendo o equilíbrio: depressões constantes, cegueiras repentinas, às vezes um riso desesperado, o olhar perdido. Não dormia, tinha medo de morrer dormindo, chorava e desmaiava. – Eles me acabaram, repetia sempre [...].
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Qual o objetivo da tortura?
Qual o objetivo da tortura?
Enviado por Douglas Prima (http://www.comunistas.spruz.com/profile/Prima/)
O texto que se segue é um comentário sobre um blog da página http://www.comunistas.spruz.com/ que fala sobre a tortura aplicada especificamente a uma pessoa durante o período da ditadura militar no Brasil. Para que fique mais claro o que será falado aqui, sugiro que leiam o post antes. O tema é "Poderia ser sua filha, irmã, sua namorada...
Siga o link:
http://www.comunistas.spruz.com/pt/Poderia-ter-sido-sua-filha-sua-irm-sua-namorada/blog.htm
Assustador! Parece até aquelas histórias de filmes americanos. Gostaria que fosse apenas um filme e que desejaria muito que não fosse verdade. Mas, infelizmente é. Assim, desejo que se torne realidade o seu intento: justiça. Entretanto, mesmo que se faça justiça, uma coisa jamais será modificada: a barbaridade e crueldade ocorrida com Nilda. (e com muitos outros). Como um ser humano chega a esse ponto? Como pode torturar outro ser como ele e não sentir ao menos remorso? Pessoas assim, devem se sentir muito mal consigo mesmas, do contrário, não têm o direito de serem chamadas pessoas. São animais, bichos ou coisa pior. Fizeram o mal. Certo. Em troca de quê? Creio que nem mesmo você, Eduardo, que conhece tão bem bem a história da ditadura e suas barbaridades, conseguiria me explicar por que a crueldade humana deveria ter ido a um extremo tão palavroso, redundante e vazio. Qual a causa disso e o que esses monstros ganharam? Entendo que, hoje, existam pessoas que lutem pela justiça e que esperem um acerto de contas com os culpados. É elogiável. Mas, tente me entender: em uma guerra, é necessário matar, para que não sejas assassinado. De certa forma, justifica o crime. É matar ou morrer. Agora, no caso acima citado... meus olhos chegam a encher de lágrimas só de pensar na imensa covardia aplicada por esses crápulas, bastardos e covardes, que se aproveitavam de uma causa política para praticar suas devassidões grosseiras contra outros. Não acredito, Eduardo, por mais que te pareça errado ou grotesco, que apenas uma causa política, levaria a tremendo absurdo. Soma-se ao fato a libertinagem que a circunstância levou e a pura crueldade daqueles a quem se concedia poder. Eu acredito, sem demagogia, que mesmo uma ditadura, como a que tivemos, poderia ter sido mais suportável se as pessoas envolvidas (digo nos mais baixos escalões também) tivessem sido outras. O problema, sem isentá-la, obviamente, não foi apenas a ditadura em si, mas, o fato de a ditadura ter sido aplicada (incluo os mais baixos escalões também) por sociopatas tiranos e doentes, que, deliberadamente, sentiam prazer em realizar atrocidades contra terceiros. Seria culpa dos métodos americanos de treinamento sob tortura? As técnicas de tortura utilizadas no Brasil, ao contrário da idéia de que seriam improvisos dos que aplicam a tortura, têm na verdade, estreita ligação com técnicas desenvolvidas através de experimentos como os do Projeto MKULTRA. Técnicas trazidas para o Brasil e América Latina, através de treinamento e treinadores americanos, estão contidas nos Manuais KUBARK utilizados para treinamento de militares e agentes de segurança brasileiros na Escola das Américas além de em outros programas de intercambio. Vários militares e agentes de segurança do Brasil receberam treinamento na Escola das Américas cujo nome foi modificado para Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança. Vários membros da força policial brasileira foram treinados por especialistas em tortura que vieram para o Brasil com o objetivo de difundir os métodos e meios de interrogatório compilados pela CIA. Foi o caso do conhecido Dan Mitrione. A recente liberação pelo governo americano de uma lista parcial de nomes de participantes nos treinamentos da Escola revelou também o fato de que militares brasileiros treinaram e participaram de tortura inclusive no Chile. Ou seria apenas natural, já que, por séculos, podemos observar históricos de tortura? Ao invés de desumano, torturar é que pode ser humano. Desumano é se sentir enojado pelo bem estar causado pela dor alheia. Poder ser, levando em conta o que Pietro Verri, Iluminista sensível, descreve em seu livro, Observações sobre a Tortura, escrito entre 1770 e 1777, a respeito de um processo criminal realizado em Milão no ano de 1630. O “processo dos untores”. Em suma, o processo era sobre uma investigação que visava descobrir os culpados por uma barbaridade: espalhar a peste pelas ruas milanesas untando uma espécie de óleo nas paredes, contaminando, assim, quase toda a população. Eles só esqueceram que, se tal proeza fosse realmente possível, os disseminadores da peste deveriam ser os primeiros a se contaminarem. Ignorando esse fato, depois de muita luta, os governantes conseguem convencer a população a entregar quem aparentasse ser um disseminador da peste, oferecendo uma recompensa para o felizardo. Não demorou muito para que um certo Guglielmo Piazza, um inocente comissário do serviço sanitário, fosse acusado. Segue a narrativa:
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http://www.comunistas.spruz.com/pt/Qual-o-objetivo-da-tortura/blog.htm