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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Julio vive e morre – A prisao do guerrilheiro Celso Lungaretti


Júlio vive e morre
A prisão do guerrilheiro Celso Lungaretti

Em 1970 Celso Lungaretti, codinome Júlio, foi preso pela repressão militar. Além das bárbaras torturas que lhe deixaram surdo de um ouvido. Ainda teve que sobreviver durante anos sendo chamado de traidor pelos companheiros de Esquerda porque aceitou participar da encenação de um falso arrependimento na TV, armada pela ditadura militar como forma de propaganda contra a “subversão”. Depois de 40 anos ele conseguiu provar sua inocência. Abaixo o relato do dia em que ele foi preso. O dia que mudou sua vida para sempre.

16 DE ABRIL DE 1970
Júlio chega à praça Saens Peña às 6h38 do dia 16 de abril de 1970.
É uma fase de arbítrio e intolerância. Os partidos e organizações que ousaram pegar em armas para resistir à ditadura militar pagam um preço bem alto: as notícias de prisão e morte de militantes são praticamente diárias. Há indícios de melhora da situação econômica do País.
Ele veio de ônibus, calculando que daria tempo. Deu. O ponto com o Ivo e os dois simpatizantes está marcado para as 6h45.
Outro motivo para ter optado pelo ônibus é a certeza de que o coletivo estaria quase vazio nesse horário. Ótimo para quem precisa tomar cuidado com o revólver que traz na cintura, encoberto pela camisa folgada, que usa fora da calça.
Nesta manhã de quinta-feira Júlio não tem outros compromissos. Baterá um rápido papo com os simpatizantes que Ivo vai lhe passar e pronto! Estará livre para voltar ao quarto que aluga na casa de uma simpática velhinha do Rio Comprido (ótima cobertura, nada de fichas para preencher, nada que possa atrair atenções indesejáveis).
Para manter a fachada de vendedor, às vezes ele é obrigado a ficar matando tempo pela cidade mesmo quando não tem nenhuma tarefa da Organização para cumprir. Nesta semana, entretanto, ele disse à Dª Chica que ganhou alguns dias de folga.
Como os dois comandantes de unidades de combate foram convocados pelo Lamarca para uma reunião de emergência na área guerrilheira, não há muito para um comandante de Inteligência fazer.
Assim, Júlio tratou de arrumar uma desculpa para manter horários mais flexíveis. E, como vantagem adicional, pôde sair à paisana, sem o terno desconfortável para o clima carioca nem a pasta 007 em que costuma levar o seu .38 e uma caixa de balas.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Lamarca: o guerrilheiro apaixonado


Lamarca:
o guerrilheiro apaixonado

Carlos Lamarca e Iara Iavelberg

guerrilheiro apaixonado
Por Hugo Studart
 
As cartas escritas pelo capitão Carlos Lamarca à sua amada Iara Lavelberg dias antes das trágicas mortes de ambos, em 1971, revelam o lado passional de revolucionário implacável.
 
Iara Iavelberg tinha o rosto lindo, a cabeça brilhante e o coração revolucionário. Era a musa da esquerda brasileira em 1969, quando um capitão do Exército, Carlos Lamarca, desertou de armas em punho para se tornar comandante da Vanguarda Popular Revolucionária, a VPR. Logo tombaria de encantos por Iara. A paixão do capitão pela guerrilheira virou lenda entre a intelectualidade pátria, nossa melhor versão de Tristão & Isolda ou de Garibaldi & Anita. Há 35 anos ambos, Lamarca & Iara, morreram nas mãos dos militares. Caíram na Bahia, em locais e datas distintas. O que poucos sabem é que Lamarca deixou um diário como legado, redigido durante seu exílio na caatinga baiana. São 39 trechos, redigidos entre 8 de julho e 16 de agosto de 1971 (um por dia), endereçados a Iara e obtidos por ISTOÉ através de um oficial de alta patente. O diário é um documento singular. Os textos se parecem muito mais com uma longa lírica romântica do que com registros racionais de um revolucionário. Guardam impressionante paralelo com as cartas da revolucionária alemã Rosa Luxemburgo a Leo Jogiches, onde ela discute a revolução, mas dedica-se principalmente a falar do amor colossal que sente pelo amante. Nas cartas de Lamarca, como nas de Rosa, há trechos marxistas, mas os pontos fortes desse documento são as declarações de amor que revelam o imaginário do nosso mais conhecido guerrilheiro:
 
– Neguinha, a fôrça da coletivização é espantosa, fico a imaginar uma fazenda coletiva – e me babo só de pensar! (A grafia original foi mantida)


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domingo, 9 de outubro de 2011

Guerrilha no Brasil: O Sequestro do Embaixador Suíço


Guerrilha no Brasil
O Sequestro do Embaixador Suíço
 
Carlos Lamarca e o embaixador Giovanni Enrico Bucher

Na História do Brasil existem acontecimentos surpreendentes, mas infelizmente pouco conhecidos do grande público. Um deles é o sequestro do Embaixador Suíço, que foi trocado por 70 prisioneiros que estavam sendo torturados nos porões da ditadura militar. Esta ação foi liderada por Carlos Lamarca da VPR – Vanguarda Popular Revolucionária. Durante 40 dias angustiantes os guerrilheiros mantiveram o embaixador Giovanni Enrico Bucher em cativeiro, aguardando a resposta dos militares. Dentro do “aparelho” clandestino também estavam a mulher de Lamarca: Yara Iavelberg e Alfredo Sirkis. É ele quem narra essa emocionante história no livro Os Carbonários.

O GRANDE ENGARRAFAMENTO
Guerrilha no Brasil - O sequestro do embaixador suíço
Curiosos e policiais olham o local do sequestro

Surgiram no espelho às 9,15 hs., em ponto.
Abri a porta do Volks bege para os três que chegaram a passo apressado, vindos do outro lado do muro. A rua do transbordo era serpenteada  de paralelepípedos, uma das curvas à volta de um muro fortificado,
O fuscão turqueza, que instantes antes os deixara do outro lado dessa curva, passou apressado ladeira acima. Nisso Ivan já segurava 1 porta e fazia sinal pro embaixador entrar. Paulista mão no Smith & Wesson, dava a cobertura.
Me deparei com ele, de terno e gravata, rosto carnudo, avermelhado, um nariz grosso, robusto jeitão europeu bem nutrido. Um par de olhos assustados.
— You will be well treated. (Você vai ser bem tratado.)
Assumi de novo minhas funções de intérprete oficial da VPR.


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domingo, 11 de setembro de 2011

Por que os bons morrem?


Por que os bons morrem?
filme - Lamarca: Capitão das Guerrilhasfilme Pra Frente Brasil
Por que os bons morrem? Era essa a pergunta que ficava na minha mente de criança e de adolescente quando assisti dois filmes brasileiros: Pra Frente Brasil Lamarca: O Capitão das Guerrilhas.
cena do filme Pra Frente Brasil
Cena do Filme Pra Frente Brasil
No primeiro filme o personagem principal é interpretado pelo ator Reginaldo Faria. Ele não era guerrilheiro, mas foi preso e torturado, sendo acusado de pertencer a algum grupo da Esquerda Armada. Após sofrer diversas torturas nas prisões da OBAN – Operação Bandeirantes, centro de torturas financiado por empresários de São Paulo, o homem no final do filme não agüenta mais o sofrimento e morre, como tantas pessoas que viveram aquela barbárie, aquele tempo onde um cidadão poderia ser preso e condenado a morte sem provas nem julgamento.


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domingo, 7 de agosto de 2011

Ex-guerrilheiro Celso Lungaretti resgata a sua honra

Ex-guerrilheiro Celso Lungaretti resgata a sua honra

Celso Lungaretti - Náufrago da Utopia

Celso Lungaretti e seu livro Náufrago da Utopia: vencer ou morrer na guerrilha aos 18 anos


Reproduzo hoje artigo do Jornal O Rebate que traz uma entrevista com o ex-guerrilheiro da VPR, Celso Lungaretti. Depois de ser acusado por mais de 30 anos de ter sido o traidor da guerrilha ele finalmente conseguiu provar sua inocência.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE CELSO LUNGARETTI

“Hoje, tenho certeza de que meus descendentes não se envergonharão de mim.”

Celso Lungaretti

Injustiçado por mais de 34 anos o ex-guerrilheiro Celso Lungaretti, conseguiu provar a sua inocência no final de 2004, com o lançamento do livro Náufrago da Utopia.

A história de Celso se confunde com a história de muitos guerrilheiros injustiçados pela esquerda armada dos anos 60/70. Podemos citar entre eles Paulo de Tarso Venceslau, Wellington Moreira Diniz e Cláudio Torres. O certo é que poucos militantes foram tão injustiçados como ele, que hoje nos concede essa entrevista à fim de esclarecer alguns fatos ainda obscuros por tantos anos e que vieram a tona com o lançamento desse livro.

Celso Lungaretti é paulistano, nascido em 06/10/1950, filho único de Reynaldo Lungaretti (contra-mestre de fiação e tecelagem) e Mafalda Vannucci Lungaretti (dona-de-casa). O seu livro foi lançado pela Geração Editorial, do Luiz Fernando Emediato, em 10/11/2005.

Em mais e 14 páginas de entrevista concedida a mim, ele fala sobre a sua militância no movimento estudantil no ano de 1968, como começou a se interessar pela guerrilha, como foi seu recrutamento na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), fala sobre as falsas acusações feitas por ex-companheiros de militância, e fala sobre sua reabilitação. A entrevista é longa, porém, extremamente esclarecedora, e pedimos aos amigos leitores, que a leiam com muita atenção, para que não haja dúvida alguma sobre o assunto.

Ele foi acusado por Lamarca e pela VPR, de ter sido o delator da área de treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira, e por conta dessas falsas acusações ele ficou de fora da lista de militantes a serem trocados peloembaixador alemão que foi seqüestrado em julho de 1970. Isso gerou na repressão uma grande repulsa por ele que ficou por vários meses incomunicável e sendo torturado, ainda com o peso nas costas da morte de Eremias Delizoicov (Eremias tinha 18 anos e foi morto com 35 tiros) e do bancário Roberto Macarini (este era bancário e simpatizante da VPR).

Agora, se vocês quiserem saber algo além do que ele disse aqui adquiram o seu livro, que contem uma riqueza muito maior de detalhes, sobre toda sua militância e vocês terão uma idéia também de como foi o sofrimento desse homem, suas tristezas, sua vida na clandestinidade, sua prisão, sua tortura, o desprezo dos companheiros que ainda hoje insistem em execrá-lo por algo que ele não cometeu.

Ciro Campelo - Celso, você era bem novo quando começou a militar no movimento estudantil. Com que idade você começou a militar, e o que te levou a ter essa consciência de militar no ME?

Celso Lungaretti:Eu tinha 16 anos e cursava o 2º ano do Científico de Engenharia numa escola da Mooca. Eu era muito tímido, e não ficava muito à vontade com as garotas do bairro, quase todas fãs da Jovem Guarda e dos Beatles, que eu detestava. O lugar dos meninos conhecerem as meninas eram os bailinhos, e eu era meio travado para dançar. Então, como qualquer adolescente, tinha muita vontade de chegar nas garotas, mas a falta de jeito me tolhia.

Ao mesmo tempo, lia livros de autores sérios como Dostoievski, Kafka, Camus, Sartre e Carlos Heitor Cony. Já começava a ver filmes de arte, como os do Godard e do Glauber Rocha.O Eremias, colega de escola desde criança, apresentou-me um dia a Maria das Graças, que estava na classe dele (começamos juntos, mas ele repetiu dois anos e foi ficando para trás, então estava na 4ª série ginasial). Ela era filha de um militante do PCB que teve de fugir da Bahia para São Paulo, ela estava mesmo é querendo formar uma base no nosso colégio, o MMDC.


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http://www.comunistas.spruz.com/pt/Ex-guerrilheiro-Celso-Lungaretti-resgata-a-sua-honra/blog.htm