sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Partido pra que?: por Mouzar Benedito
Lamarca: o guerrilheiro apaixonado
domingo, 2 de outubro de 2011
O justiçamento do guerrilheiro Márcio Leite de Toledo
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Deus é brasileiro: por Douglas Prima
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
A guerrilheira Dinaelza Santana Coqueiro, A Mariadina
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Guerrilha no Brasil - Fusca modelo peneira
Guerrilha no Brasil - Fusca modelo peneira
Reproduzo hoje mais uma parte do livro Viagem à luta armada de Carlos Eugênio Paz: último comandante da ALN vivo. Nesse trecho ele relembra um de seus conflitos com a repressão. Através de suas memórias, podemos conhecer um pouco das histórias de luta desses brasileiros, que arriscaram suas vidas para tornar nosso país um lugar mais justo.
COM DIOGO morrem as possibilidades de lançamento imediato da guerrilha rural. Atônitos, recomeçamos a reunião, com a nova realidade a enfrentar, precisamos traçar novas diretrizes e assumir o comando da Organização. Aqui, a experiência de Tato mostra-se de grande valia.
— Temos que imprimir um documento dirigido à nação e espalhá-lo pelas ruas aproveitando a Campanha do Voto Nulo. Um documento interno deve conclamar os militantes a cerrarem fileiras em torno da Coordenação Nacional para que possamos, no mais breve tempo, retomar os planos de levar a luta ao campo. Devemos realizar ações para levantar o moral, mas não há mais sentido em desencadear a Quinzena Fabiano. Cada um de nós deve sair daqui com a firme convicção da necessidade de prosseguir a luta até que libertemos nosso povo da opressão. Se alguém não quiser assumir essas responsabilidades tem a obrigação de falar agora, outros podem realizar suas tarefas, diante do quadro, não seria vergonha um recuo. Vamos contatar as organizações da Frente e declarar nossas intenções de continuar a trabalhar no mesmo espírito de colaboração implantado por Diogo. Estando todos de acordo, nos resta seguir em frente, o trabalho será longo e penoso, e nós, como Coordenação Nacional, devemos dar o exemplo e demonstrar confiança em nossos propósitos. Não é hora de chorar nossos mortos, e sim de honrá-los.
Arregaçamos as mangas e começamos a reconstruir nossos esquemas. Continuo no comando militar de São Paulo, ajudado por Altino, Hélio volta ao Rio, Tato sai em busca de recontatar nossos esquemas na Área Estratégica Mário desaparece logo depois de sair do aparelho, deixando de cobrir os pontos com a Organização, sem dar nenhuma notícia. Não sabemos se caiu ou se fugiu do país, eu e Marcelaabandonamos nosso apartamento e, enquanto procuramos alugar uma casa, dormimos em lugares inusitados, arriscando nossas vidas. Ora pegamos um ônibus até Aparecida do Norte, cidade de romeiros, acostumada a receber todo tipo de gente, o que nos dá certa tranqüilidade, ora dormimos no trem noturno até Bauru, onde descemos e pegamos outro de volta, dormindo mais algumas horas.
Hugo e Seishi nos oferecem solidariedade, mas nossa estrutura na cidade está incólume, o traidor não conseguiu penetrá-la. Resolvo começar a Campanha o mais rapidamente possível, temos que mostrar nossa disposição de luta. Saio às ruas para panfletar com Marcela e Seishi.
Eu ao volante com minhas armas pessoais e a indefectível metralhadora no freio de mão, Seishi no banco do carona, com outra matraca, Marcela atrás, pistola e revólver.
Vila Prudente, favela, passamos pela rua que a ladeia, paramos em cada viela de acesso, distribuímos o material e seguimos em frente. Já estivemos em três bairros sem problemas. Terminados os panfletos, acelero, precisamos sair da área. Algumas centenas de metros mais à frente, um caminhão manobra bloqueando a rua. Diminuo a velocidade e paro o carro controlando os retrovisores. Um táxi VW 1600 vem em nossa direção com os faróis acesos e as duas portas traseiras abertas. Sinal de perigo, dou o alarme.
— Polícia...
Meu faro instantâneo salva vidas, O táxi nos ultrapassa pelo meu lado e freia nos fechando em diagonal. No momento em que nos abaixamos, balas espatifam o pára-brisa e zunem acima de nossas cabeças. O cheiro acre me desperta para o combate. Abro minha porta para servir de escudo, disparo pela janela o primeiro pente de pistola, recarrego, recomeço os disparos e grito:
— Sai com a matraca, Seishi, dou cobertura...
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http://www.comunistas.spruz.com/pt/Guerrilha-no-Brasil---fusca-modelo-peneira/blog.htm
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O Martirio do guerrilheiro Eduardo Colem Leite, o Bacuri
Por que tudo aconteceu com Rafael? Penso nisso do meu túnel, minhas seringas, meus espelhos e meus sonhos, Às vezes julgo encontrar a resposta, de repente as imagens se obscurecem e a certeza se esvai. Rafael era um grande quadro de ação e sabemos o tratamento que eles recebiam nas mãos dos torturadores, mas o caso dele foi ímpar, pelos requintes de crueldade. Torturado semanas a fio, com algumas pausas para recuperar as forças e voltar ao sofrimento, até a morte. Não abriu pontos, mas continuou a apanhar como se ainda pudesse fazê-lo. Não conhecia aparelhos, mas os choques não paravam. A Organização sabia de sua prisão, mas o famigerado delegado disputava Rafael com o DOl-CODI, se aliando ao CENIMAR, escondendo-o em delegacias do subúrbio de São Paulo, somente para ter o prazer de comandar sua destruição. Podiam ter matado Rafael na rua, estava desarmado graças a um ardil do traidor, mas fizeram questão de prendê-lo vivo. As informações que tinha se tornaram obsoletas e seguiam torturando-o como se disso dependesse o fim da luta armada no Brasil. Já falei de seu olhar e de seu sorriso, mas é dificil descrever a luminosidade que transmitia sua presença. Sua dedicação era emocionante, não perdia tempo, agia e pensava os destinos da luta, incentivando os companheiros a fazerem o mesmo. Estive presente em dois momentos terríveis de sua vida: a morte trágica de Alberto e a prisão de Letícia, sua companheira, grávida de poucos meses.
EU E MARCELA vivemos em um quarto isolado na casa de Rafael, onde morreu Alberto, reservado para futuros seqüestros e situações de emergência, enquanto procuramos um imóvel adequado para montar um aparelho. Uma tarde, voltamos de olhos fechados para não conhecermos a localização, quando Rafael, nervoso, ordena: - Abram os olhos, deu merda.
Engatilho a matraca, pronto para o combate, e olho na direção que meu companheiro aponta. Letícia está sendo presa e não podemos fazer nada, são muitos, os homens do DOl-CODI, morreríamos todos.
— Filhos-da-puta, prenderam Letícia e ela está grávida, vão matá-la e ao bebê para saber onde estou. Vou ligar para o vizinho tentando um contato, talvez sabendo que estou informado da queda ela tenha uma chance. Vamos sair da área, está muito perigoso por aqui.
Rodamos até uma padaria tranqüila nas cercanias do Ibirapuera, pedimos cafés e ocupamos o telefone, costas guardadas por Marcela. Rafael liga para o vizinho e pede que chame Letícia, eles impedem o contato. Resolvemos telefonar para o comandante do II Exército, ele não atende, Rafael fala com o ajudante-de-ordens, um tenente-coronel.
— Aqui é Rafael, guerrilheiro da ALN. O DOl-CODI acabou de prender minha mulher e vão torturá-la para me entregar. Não há necessidade disso, assistimos a sua prisão, não tem mais informações a dar. Seu comandante responde pela vida dela e a do bebê e, se algo acontecer, não descansaremos enquanto não matá-lo. Transmita a mensagem imediatamente, senão será você o responsável. Volto a chamar para saber o que o general decidiu.